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ABC do Saber
Erika Moreno de M. Goulart
“Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende” (Guimarães Rosa)

Produzindo o Texto : Carta
Postado em 12/04/08 - 22h05

Olá Pessoal!

Eu e minha turma do 7º período estivemos nas últimas semanas realizando nas escolas da região metropolitana o nosso estágio obrigatório. Nessas semanas iniciais aplicamos diagnósticos de leitura e produção de textos, em diversas turmas, desde a 3ª série do Ensino Fundamental ao 1º ano do Ensino Médio. Como era de esperar o resultado foi terrível, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico de produção de texto. Os alunos deveriam produzir uma carta, por exemplo, a um jornal, a secretária de educação, etc; e o que se viu foi a produção mecânica das redações escolares, que não é gênero nenhum. Por isso hoje  vou postar os itens básicos para toda carta, pois se alguém além dos alunos, tiver alguma dúvida consulte sem medo.

PRODUZINDO O TEXTO: GÊNERO CARTA
 
ESTRUTURA DE UMA CARTA
 
- Local e data, separadas por vírgula.
- Vocativo, separado do corpo da carta. Não esquecer de usar o pronome de tratamento adequado.
- Introdução do tema da carta, desenvolvimento, finalização e conclusão. O corpo da carta deve ter de 2 a 4 parágrafos, o mesmo pronome de tratamento deve ser usado do início  ao fim da carta. O motivo deve estar claro, bem justificado e argumentado. A letra deve estar legível.
- Despedida, seguida de vírgula.
- Assinatura.
 
PRONOMES DE TRATAMENTO MAIS UTILIZADOS
 
Os pronomes de tratamento mais comuns hoje em dia são:

 - Você / vocês (v. / vs.) - no tratamento de pessoas com quem temos intimidade

 - O senhor / os senhores (Sr. / Srs.), a senhora / as senhoras (Sra. / Sras.) - no tratamento de respeito (geralmente, pessoas mais velhas que nós, ou quem queremos tratar com distanciamento e respeito)

 - A senhorita / as senhoritas (Srta. / Srtas.) - a moças solteiras

 - Vossa Senhoria / Vossas Senhorias (V.Sa. / V. Sas.) - para pessoas de cerimônia, principalmente na correspondência comercial. (autoridades em geral: chefes, diretores e pessoas a quem se quer tratar com distanciamento e respeito)

 - Vossa Excelência (V.Ex.ª) - para altas autoridades do governo e das forças armadas.
 - Vossa Reverendíssima / Vossas Reverendíssimas (V. Revma. / V. Revmas.) - para sacerdotes
 - Vossa Eminência / Vossas Eminências (V. Ema. / V. Emas.) - para cardeais
 - Vossa Santidade (V.S.) - para o Papa
 - Vossa Alteza - Vossas Altezas (V.A. / VV.AA.) - para príncipes, princesas e duques
 - Vossa Majestade / Vossas Majestades (V.M. / VV.MM.) - para reis, rainhas e imperadores
 - Vossa Majestade Imperial (V.M.I.) - para imperadores
  - Vossa Magnificência (V.Magª) – reitores de universidades
 - Vossa Meritíssima (usado por extenso) – Juízes de direito.

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Dicas Gramaticais
Postado em 10/04/08 - 23h08

Daremos hoje algumas dicas para você que gosta de língua portuguesa ou precisa conhecer melhor os segredos do nosso idioma, ou seja, todos estão convidados a ler este post. As dicas de hoje são principalmente para aqueles que enfrentam concursos e precisam aprimorar a comunicação escrita.

Vamos às dicas de hoje.
Vamos concordar

1. “ACONTECEU ou ACONTECERAM dois acidentes nesta esquina?”
Segundo nossas regras gramaticais, o verbo deve concordar o sujeito. No caso acima, o sujeito do verbo ACONTECER é “dois acidentes”, que está no plural. Por isso, devemos dizer que “aconteceram dois acidentes”.
Quando alguém diz que “aconteceu dois acidentes”, na verdade aconteceram três acidentes…
2. “HOUVE ou HOUVERAM dois acidentes?”
O verbo HAVER, quando usado no sentido de “existir”, é impessoal. Isso significa que não tem sujeito e que só pode ser usado no singular. O certo é “houve dois acidentes”.
É interessante notar que ninguém diria “hão muitas pessoas aqui”. Todos falam corretamente: “Há muitas pessoas aqui”. O verbo HAVER (=existir) deve ser usado sempre no singular em qualquer tempo verbal: “Havia muitas pessoas na reunião”; “Haverá muitos candidatos no próximo concurso”…
Certa vez, li num bom jornal: “Houveram vários crimes na Baixada”. Sem dúvida, um dos crimes foi contra a língua portuguesa!!! O certo é “Houve vários crimes na Baixada”.
Crase sem crise
1. Ele se referiu a ou à carta?
2. Ele escreveu a ou à carta?
O certo é: Ele se referiu à carta e escreveu a carta.
Para comprovarmos a crase, o melhor “macete” é substituir o substantivo feminino por um masculino. Comprovamos a crase se o A se transformar em AO:
“Ele se referiu à carta.” (=ao documento)
“Ele entregou o documento às professoras.” (=aos professores)
“Sua camisa é igual à do meu pai.” (=seu casaco é igual ao do meu pai)
“Ele fez referência às que saíram.” (=aos que saíram)

Observe a diferença:

 “A secretária escreveu a carta.” (=o documento)
“Ele não encontrou as professoras.” (=os professores)
“A testemunha acusou a da direita.” (=o da direita)
“Não reconheci as que saíram.” (=os que saíram)
“Ele se referiu a esta carta.” (=a este documento)
“Tráfego proibido a motocicletas.” (=a caminhões)
( Fonte:  Blog Sérgio Nogueira)

A gramática não deve ser considerada a fôrma na qual devemos encaixar a nossa língua e classificar como erro tudo aquilo que não está escrito no livrinho rosa de mais de 500 páginas (lembro nesse momento da Novíssima Gramática da Língua de Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla, na qual muito me debrucei nesses três anos de faculdade), mas o seu bom uso pode evitar ( e evita viu!) vários constrangimentos, pense nisso!
 
E até a próxima!

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Enem: Notas das Escolas Betinenses
Postado em 03/04/08 - 22h16

Foi divulgado hoje no site do Inep o desempenho das escolas brasileiras de acordo com o Enem 2007. Para a grande surpresa um colégio do Rio de Janeiro teve a melhor nota (e olha que o Rio vive um verdadeiro caos em sua rede de ensino), tudo bem é uma escola particular mais não deixa de ser um resultado surpreendente. O Enem comprova mais uma vez as diferenças de notas entre as redes particulares e públicas de ensino, e demonstra que precisa-se investir urgentemente em educação.
 
A média nacional foi de 51,52 na prova objetiva e na redação 55,99. Abaixo, vamos demonstrar o resultado das escolas betinenses.
 
Nome da Escola
MÉDIAS**
Prova Objetiva (média)
Redação e Prova Objetiva (média)
COL EDUCARE DE BETIM
70.7
65.73
COL BATISTA MINEIRO
67
65.93
EE AMELIA SANTANA BARBOSA
58.07
59.07
COLEGIO TIRADENTES DA PMMG
56.45
55.67
EE N SRA DO CARMO
52.36
54.92
EM PRES RAUL SOARES
51.85
54.39
EE CONSELHEIRO AFONSO PENA
51.82
53.98
EE NEWTON AMARAL
50.28
52.4
EM ANTONIO D ASSIS MARTINS
49.4
51.37
EM JOSE MIRANDA SOBRINHO
47.87
50.79
EE TITO LIVIO DE SOUZA
47.24
49.44
EE PROFA VERA MARIA REZENDE
47.21
49.56
EE PROF CARLOS LUCIO DE ASSIS
47.16
49.29
EE JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA
47.07
50.19
EE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
46.84
51.17
EE JOAO GUIMARAES ROSA
46.78
49.74
EE DR RENATO AZEREDO
46.1
47.79
CESEC DE BETIM
45.31
48
EE DR ORESTES DINIZ
45.11
47.46
EE JOAO PAULO I
44.9
48.07
EE DO BAIRRO SAO CAETANO
44.84
48
EE PROF OSVALDO FRANCO
44.64
48.59
EE SILVIO LOBO
44.44
47.1
EE SEN TEOTONIO VILELA
44.21
48.28
EE DO BAIRRO AMAZONAS
44.14
48.22
EE CECILIA MEIRELES
43.88
49.65
EE DEP SIMAO DA CUNHA
43.69
48.83
EE SARAH KUBITSCHEK
43.04
46.87
EE ANTONIO AUGUSTO RIBEIRO
42.35
46.09
EE PROFA LOURDES BERNADETE SILVA
41.35
41.01
EE ESTUDANTE LIVIA MARA DE CASTRO
40.65
43.92
EE GRAMONT ALVES GONTIJO
39.68
42.93
 
Destaque absoluto para a Escola Estadual Amélia Santana Barbosa e um pedido urgente de ajuda para escolas das regiões periféricas como o Citrolândia, pois críticas a parte, o Enem é uma pequena mostra de como está a Educação em Betim, ou seja, uma vergonha, confesso que esperava mais viu! Temos que repensar a nossa prática e exigir melhorias. E deixo aqui uma posição que pode parecer muito radical e impensada, ainda mais para os professores da rede municipal, vamos exigir sim mais sem usar da baixaria de módulo reduzido, ok?
 
Estou radical sim, e por isso comentem me dando aqueles puxões de orelha!

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O que é mesmo o ato de AVALIAR?
Postado em 31/03/08 - 07h35

 Este final de semana o artigo de Cipriano Carlos Luckesi foi o escolhido para a leitura desta formanda de Letras que lhes escreve. O tema interessantíssimo, ainda mais para os professores de primeira viagem, pois é um artigo muito reflexivo e de certa forma orientador.

Avaliação é um tema que se faz presente na vida de todos nós, pais, alunos, professores e pedagogos, e por isso ela deve ser considerada "como um recurso pedagógico útil e necessário para auxiliar cada educador e cada educando na busca de si mesmo e do seu modo ser na vida." Será isso mesmo que estamos fazendo com os nossos alunos? Estamos lhes aplicando prova para realmente avaliar ou punir? E qualidade de vida, esse ponto algum dia passou pelas nossas cabeças? Avaliar pela qualidade de vida.

É muito interessante observar a preocupação de Luckesi para com a qualidade de vida, uma vez entendida por ele, como à oferta aos alunos dos melhores recursos que possam incluí-lo na sociedade ativa e conscientemente, dessa forma avaliação não pode ser entendida como exame, instrumento de ameaça e classificação, mas como diz sabiamente o autor “a avaliação da educação, por ser avaliação é amorosa, inclusiva, dinâmica e construtiva”, ou seja, é um processo que implica em diagnosticar problemas e trabalhar as maiores dúvidas dos alunos, sem discrimina-los e classifica-los em MUITO BOM, BOM, REGULAR e RUIM. A propósito disso, o que vocês acham sobre notas e conceitos? Escrevam-me dando-me opiniões sobre o assunto, será que de fato, as notas e conceitos, dizem sobre o que o aluno é ou sobre o que o aluno foi em tal dia e em tal hora? 

Voltando ao artigo de Luckesi, um dos pontos mais interessantes que o autor nos fala é do ato de avaliação como o ato acolhimento, acolhimento do aluno no seu ser e modo de ser e dos resultados obtidos. O acolhimento do aluno é importante na medida em que acolhendo o aluno, podemos entender o seu modo de viver e pensar, dessa forma, por exemplo, diante de um resultado ruim, o educador não irá crucificar o aluno, submetê-lo ao ridículo diante de seus amigos, ou então força-lo a realizar tarefas intermináveis e cansativas, que servem muitas vezes para a punição. 

A partir do ato de acolhimento, o ato de avaliar implicará em dois outros processos articulados e indissociáveis: diagnosticar e decidir, pois como diz Luckesi, “não é possível uma decisão sem um diagnóstico, e um diagnóstico, sem uma decisão é um processo abortado”. Está parece uma afirmação óbvia, porém, o que vemos na realidade de muitas escolas é a preocupação de somente avaliar, depois disso nada de intervenção. O autor nos explicita bem cada um dos processos e cita inclusive exemplos, o que enriquece mais o seu artigo. 

Em um segundo momento do artigo, após a explicitação de cada conceito tais como o ato de acolhimento, diagnóstico, intervenção; Luckesi nos explica a “aplicar, passo a passo, cada um dos elementos à avaliação da aprendizagem escolar”. É interessante observar nessa parte do texto, quando o autor trata das várias formas de recusa do aluno, ele cita um ato comum até mesmo em nosso dia-a dia, o preconceito e o julgamento eterno de uma determinada pessoa: “um aluno X é do tipo que dá trabalho e que não vai mudar”, mesmo pensando “só para gente” como diz o autor, essa opinião de uma forma ou de outra um dia aparece e o aluno percebe esse pensamento exclusivo. 

Finalizando o seu texto Luckesi retoma o termo qualidade de vida, e reforça que ela é o objetivo e por isso não vale a pena os atalhos e tanto recursos “caso a vida não seja alimentada tendo em vista o seu florescimento livre, espontâneo e criativo”, entendemos assim que o objetivo da avaliação não é o de selecionar os melhores, excluir os piores, mas sim estimular o aluno para a oferta ao mundo do que ele tem de melhor. E para vocês o que é mesmo o ato de avaliar?

 Carlos Cipriano Luckesi. Autor de Livros como Filosofia da Educação, 1991.


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Literatura Africana
Postado em 26/03/08 - 09h48

Inauguro este blog apresentando um assunto que não tratamos em sala de aula: Literatura Africana.

Não raras vezes exploramos as desventuras dos africanos: pobreza, guerras civis, falta de água e doenças. Quando falamos de alguma coisa boa (o que é raro) falamos de uma África selvagem, lugar paradisíaco, em que podemos encontrar um leão na esquina de qualquer cidade, ou seja, passamos a idéia de uma África que não é só isso.
 
Que tal começarmos desfazer alguns dos nossos preconceitos para com a África? Apresento abaixo o poema Negra da moçambicana Noémia de Sousa, em seguida farei uma breve análise do poema explicitando como é a literatura moçambicana, especificamente, esta análise obviamente está sujeita a críticas.

Negra
 Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
 quiseram cantar teus encantos
 para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
 
Teus encantos profundos de África.
Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,

ausentes de emoção e sinceridade,
 
quedas-te longínqua, inatingível,
 virgem de contactos mais fundos.
 E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
 jarra etrusca, exotismo tropical,
 demência, atracção, crueldade,
 animalidade, magia...
 e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
 
 Em seus formais cantos rendilhados
 foste tudo, negra...
 menos tu.,
 
 E ainda bem.
 Ainda bem que nos deixaram a nós,
 do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
 sofrimento,
 a glória única e sentida de te cantar
 com emoção verdadeira e radical,
 a glória comovida de te cantar, toda amassada,
 moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE
 
A literatura moçambicana defende o imperativo da universalidade da expressão artística, tanto que vozes como da escritora trabalhada, fora muito criticada, pois era considerada por alguns como uma das vozes mais poderosas da moçambicanidade e solidariedade de pan-africanista. A poesia moçambicana enfim exprimia um essencialismo africano e mensagens a favor das massas oprimidas.

Em Negra, Noémia de Sousa corporifica na imagem feminina características da mãe-terra transferindo sensações, desejos e sonhos que sendo aparentemente uma particularidade da mulher moçambicana ali idealizada, acabam por forjar no corpo do poema um sentimento que ultrapassa a busca de um eu individualizado. Percebemos claramente na imagem da mulher feiticeira, cheia de encantos, amante sensual, exótica, características também da mãe terra, da África, que também é misteriosa aos olhos de gente estranha, que lê o continente negro com os conceitos de outros mundos, de outra realidade, ou seja, acabam por compreender erroneamente a África.

 A poetiza assume-se como porta-voz daquele povo que é o seu e, dirigindo-se à terra-mãe que os acolhe e protege, ora canta a sua vida, ora lhe pede perdão pela alienação demonstrada ao longo de tanto tempo, ora  lhe promete a rápida e definitiva devolução do seu direito a uma vida própria, autêntica. E vale ressaltar que Noémia de Sousa sendo mulher é a voz não só do negro excluído, mas do negro e da mulher que se em nossa sociedade nunca teve vez, imagina em um continente em que nem os homens tiveram.

Peço para que não tenham preguiça para ler e debrucem sobre este poema a fim de encontrar uma maneira de trabalhar isso em sala de aula, com alunos de todas as idades.

Quem tiver alguma idéia ou sugestão, compartilhe-a !  

 

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