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América F.C.
Marcos Tavares
América Futebol Clube

América, um amor eterno
Postado em 29/04/08 - 16h30

O amor tem cor? Se tiver, qual é a cor do amor? Ao longo da história da humanidade a questão do amor, suas definições, seus conceitos, seus sentidos são recorrentes e parecem ser frutos da própria necessidade do homem em explicar a si mesmo e a sua existência no universo.

Tanto é, que o amor é tema de uma grande parte dos trabalhos, estudos e escritos dos grandes pensadores e filósofos. Além disso, o amor é assunto de livros, artigos, poesias, músicas, e mesmo quando não é escrito e cantado, é falado e praticado (ainda que se diga que o mundo esteja carecendo de amor). O amor pode se manisfestar de várias formas, pode nascer a qualquer instante e também pode durar uma eternidade. Assim é o amor e suas contradições e mistérios.

Porém, o amor do qual falo tem hora e data de nascimento. Esse amor tem cores e formas. Tem até mesmo um nome: América Futebol Clube. Esse amor é tricolor: verde preto e branco. Esse amor nasceu à 96 anos, no dia 30 de abril de 1912. Esse amor têm a forma de um clube de futebol, tem a forma de uma torcida fiel e apaixonada. Esse amor é acima de tudo verdadeiro e não tem limites.

No entanto, como todo amor, já houveram os momentos tristes, as tempestades e as cries. Neste tempo meu coração já foi partido inúmeras vezes, minha paixão já foi testada, e, apesar de tudo, continuo e continuarei a ser americano. Pois ser americano é isso, amar apesar dos pesares. Contudo, já houveram também os momentos de glórias, paz e alegrias. Neste tempo minha alma já foi lavada e meu coração renovado várias vezes.

Mas, independente do momento, da situação, o amor verdadeiro resiste ao tempo. Como diria o poeta Shakespeare: “nada há que impeça: amor não é amor, se quando encontra obstáculos se altera, ou se vacila ao mínimo temor.” Amor esse que permanece vivo à 96 anos, pulsando no peito a todo instante e que corre nas veias. As vezes tenho a impressão que esse amor nasceu ontem, tamanha sua intensidade. E a cada jogo, gol, vitória ou derrota, não importa, sinto dentro de mim que esse amor será eterno, e agradeço a Deus todos os dias simplesmente pelo fato do América Futebol Clube existir. América parabéns por existir...

Marcos Tavares


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Papel picado
Postado em 28/04/08 - 17h02

 

Certamente a paixão pelo futebol muitas vezes transcende os limites da razão. A crônica abaixo descreve justamente isso; a loucura de um torcedor para acompanhar seu clube do coração.


Papel Picado

Mais um entardecer se aproxima e com ele o calor da emoção aflora em meu peito. Posso sentir meu coração bater mais rápido. Eu sei o motivo: é dia de futebol. São em dias assim que me sinto vivo. São em dias assim que sinto fazer parte de algo importante. Pois é o único dia em que as pessoas me olham nos olhos sem ter aquele "olhar indiferente". Me olham como se eu fosse um deles. Me olham como um ser humano. Me olham como se eu compartilhasse as mesmas dificuldades, como se tivéssemos tido uma longa conversa de amigos no dia anterior. Como se eu fosse alguém. Parece magia, mas é dia de futebol. Mágica estranha, já que o final é sempre igual. Pelo menos o meu é o mesmo. Não importa o desfecho, o importante mesmo é estar ali. Mesmo sabendo que o "encanto" vai durar apenas pelos próximos 90 minutos.

Pessoas vão chegando de todos os cantos. São tantas que até me perco no meio da multidão. Dentre elas temos misturadas varias "espécies": ricos, pobres, magros, gordos, negros, brancos mulheres e homens. Do ser mais comum ao mais exótico. Convivendo no mesmo habitat. O impressionante é que todas as "espécies" compartilham as mesmas feições em seus rostos, parecem estar conectadas a um mesmo pensamento. Suas feições de alegria sempre comovem. Emocionam até mesmo as paredes de concreto ao meu redor. A paixão está no ar, as vezes acho que posso toca-la. O rito daqueles seres aquece até o mais frio dos mortais. Não tem como não se apaixonar. Tudo é belo: os cantos, os gritos, as cores, as bandeiras, as emoções. Tudo é muito exagerado também. Os gritos parecem ser os últimos suspiros de vida. Defendemos nossas cores como lutamos por nosso ganha pão. Zelamos por nosso estádio como cuidamos de nossa própria casa.

Fico me perguntando se existe algum lugar parecido no mundo com o estádio de futebol. Se existe, eu não conheço, apesar de não conhecer vários outros lugares legais no mundo. Mas, o estádio è o único lugar que conheço onde classe social não importa. É o único lugar onde ser feio ou belo também pouco importa. É o único lugar onde o que realmente importa é a paixão, apenas ela. Por isso, o futebol é mágico. O futebol é esperança.

Esperança de que tudo vai ficar bem ao final dos 90 minutos. Esperança de que tudo vai mudar depois do gol. Esperança de sermos campeões na vida. Esperança de algum dia sermos pessoas melhores. Ele representa de alguma forma nossas vidas, mas em uma escala exagerada. Elevada ao quadrado da paixão humana "natural". Portanto, nossos pensamentos, sonhos, frustrações, decepções e amores estão naquele gramado. Estão nas chuteiras daqueles jogadores. Nosso futuro depende daquela bola. Nossa felicidade daquele gol. Sendo assim, não ache exagero quando algum torcedor disser: "esse time é minha vida". Talvez por esse motivo torcer é também um compromisso sério para o restante de seus dias. Muito sério por sinal. Mais do que você possa imaginar. Está gravado no dna. Você não tem escolha. Na verdade, você é escolhido. Seu time é sua alma gêmea. Vocês são inseparáveis. Unidos até a eternidade, unidos na maternidade. Juntos na alegria ou na tristeza, na vitória ou na derrota. Parece até casamento, mas sem chances de um divorcio.

Porém, como todo carnaval tem seu fim, o dia de futebol também tem o seu. O apito final do árbitro soa em meus ouvidos como um alarme despertador interno que diz: a partir de agora você volta a ser um cara qualquer. Um Zé ninguém que deve fazer seu trabalho braçal e sujo para pagar seu ingresso. Assim como você faz em todos os jogos. Assim como você concordou em fazer para estar aqui na semana seguinte. Logo me lembro: está na hora de mudar o uniforme. Está na hora de "acordar". Olho ao meu redor e vejo as pessoas irem embora. Alguns solitários, outros não. Alguns tristes, outros nem tanto. Um a um eles vão indo, sumindo aos poucos, voltando para o seu "mundo real", seguindo seus caminhos. Voltando para suas casas. Voltando para suas vidas. Enquanto a minha se resume a limpar os papéis picados no chão depois dos jogos. Não há nada mais triste do que o papel picado depois de um jogo perdido. São esperanças picadas.


Marcos Tavares


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Um dia na vida do Americano...
Postado em 07/04/08 - 14h46

 

Olá para todos. Meu nome é Marcos Tavares, sou um dos novos colunistas do portal. Quero, antes de tudo, agradecer pelo espaço que me foi concebido. Quero também aproveitar ao máximo este espaço para poder debater e discutir sobre o nosso tradicional e grande clube que é o América Futebol Clube. Não pretendo fazer das colunas algo somente meu. Meu objetivo, seja através de crônicas ou mesmo opiniões é dividir com os leitores e principalmente com a torcida americana os nossos pensamentos sobre o América. Afinal, queremos sempre o melhor para o clube. Desta forma, espero colaborar de alguma maneira com o crescimento do América, mesmo que essa colaboração seja pequena, mas tenho a certeza de que com o apoio dos torcedores e leitores essa contribuição será ainda maior. Desde já agradeço a todos e espero defender da melhor forma possível as cores do Coelho. 


Um dia na vida do Americano...

Um dia na vida de um americano não é simplesmente um dia qualquer. Um dia na vida do Americano vale por um ano inteiro, tamanha a sua intensidade. Ao acordar já pensamos: será que chegamos no fim do poço? E no final do dia vamos dormir pensando: o fim não tem fim. O poço não tem fundo. O que nos resta no fim do dia é orar e pedir: “Deus salve o América”. 

Tudo para o americano é mais complicado. Sair de casa atualmente é um sufoco. O temor constante de encontrar os amigos que insistem em ridicularizar o nosso glorioso time é cada vez maior e inevitável. Ir trabalhar é outro tormento. Os “colegas” de trabalho já ficam na espera de sua chegada para fazer aquela piadinha sobre o nosso tradicional Coelho. Ir para o buteco com os amigos depois do trabalho nem pensar. 

Você já passou o dia inteiro sendo motivo de gozações, porque aguentar mais. Nem argumentos temos mais nas conversas. Falar sobre futebol é um calvario. O tema ficou banido das nossas conversas. Apesar de nossas opiniões serem sempre as mais inteligentes. Falar sobre futebol é permitido apenas entre os americanos. Mas, mesmo assim, o desfecho da conversa é sempre igual: “quero meu América de volta”. A situação fica dramática quando alguém solta a infame pergunta: e o “mequinha” heim? Não temos mais resposta. Esta pergunta assim como diversas outras já foram banidas pelo nosso cerebro. Só o termo “mequinha” por si só já causa calafrios. 

Logo em seguida os outros sintomas começam a aparecer. A garganta fica seca. As palavras somem. O suor começa a escorrer pelo rosto. E a única coisa que nos resta a fazer é responder com a nossa tradicional educação: pois é...
Nem quando criança temos paz. Enfrentamos uma sala inteira de aula praticamente sozinhos. Seus “colegas” fazem de você um motivo de chacota. Ser americano para eles é sinonimo de ser “estranho”. 

Todos nos perguntam: você é louco? E no fundo, bem no fundo, desde criança só nos sabemos como é maravilhoso ser louco. O lado bom desta historia é que os outros americanos da sua escola já automaticamente se tornam seu amigo. Se for da sua turma é quase um irmão. Irmãos de luta também. Pois, quando vencemos, fazemos barulho por uma turma inteira. Muitas vezes por uma escola inteira. Assim como acontece no estadio, onde conseguimos silenciar a mais barulhenta das torcidas. Fazemos muito barulho porque nossa voz não sai da garganta. Nosso barulho não vem dos tambores, mas sim do coração. E não existe música tão bela quanto a que vem do coração. 

Nem ao ver televisão e ler jornais podemos ficamos sussegados. Em todos os programas esportivos e jornais impressos nos sentimos excluidos, menosprezados. E para piorar, a hipocrisia nos comentarios é algo irritante. No rádio a mesma história. Somos sempre deixados em terveiro plano plano nas transmissões. A imprensa parece que esqueceu de nossa gloriosa história de 96 anos. Não posso recrimina-los, já que muitos dos próprios americanos também parecem ter esquecido. 

Mas, apesar de tudo, continuamos americanos com orgulho e amor. Continuamos a nossa luta diaria. Continuamos dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, contra tudo e contra todos. Continuamos respirando... Apesar de todo o sofrimento. Muitas vezes o coração bate mais fraco, e a vontade que temos é de fazer a coisa lógica. Mas, ser é americano e ir contra toda lógica existente no mundo, contra o “normal”. Contra o racional. Ser é ameriano é ser diferente. Ser americano é sempre ter esperança. E acima de tudo, é ser raro. No fim das contas ser americano é sobreviver...

Marcos Tavares


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