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Literatura
Ieda Alkimim


MORALIZAÇÃO DA POLÍTICA NO BRASIL - COMEÇO OU ILUSÃO?
Postado em 26/04/10 - 11h08

Após aproximadamente um ano e meio e cerca de 1,3 milhão de assinaturas dos cidadãos brasileiros o Projeto Ficha Limpa tramita no Congresso Nacional. Dentre vários objetivos da Campanha é impedir que políticos condenados por crimes sejam candidatos, defendendo condenação desses por “improbidade administrativa e inelegibilidade”, isto se aplica também aos “políticos que detém foro privilegiado”. Será esse o principio da moralização da política no Brasil?

 

Devemos analisar que o projeto “ficha limpa”, nascido do clamor popular, não pode ser o único instrumento para que a consciência do eleitor seja mais uma vez desperta para a campanha eleitoral que estar por vir, mas é o começo da reflexão individual a quem pretendemos dar nossa “procuração”, pois é justamente o que fazemos quando elegemos seja lá quem for. Sim, damos uma “procuração” para que administrem e fiscalizem dinheiro público, mas essa “procuração” não lhes permite desvios para fins próprios; quando isso eles fazem, roubam da saúde, da educação, da segurança e de tudo o mais que tanto precisamos... Roubam, claro, da democracia!

 

Infelizmente, o projeto “ficha limpa” está propositalmente sendo jogado, pelos deputados federais e senadores, para uma provável não aprovação de uma emenda à Constituição Federal, na qual tende a impedir, já nessas eleições, candidaturas de cidadãos com problemas na Justiça, como os já condenados, por exemplo, a algum crime, além de extinguir o foro privilegiado para quem comete crimes no exercício do mandato.

 

Por que deputados federais e senadores agem dessa forma? Será que o cidadão comum, candidato a concurso público, que precisa ter ficha limpa para ser efetivado no cargo, é diferente de quem participa de eleições a cargos que curiosamente são públicos também? Irônico, não? Muitos milhares e milhares já foram a uma delegacia solicitar ficha de bons antecedentes para conseguir um emprego... Não deveriam aqueles, que se comprometem com a Nação, terem no mínimo bons antecedentes e permanecerem com “ficha limpa” durante o  mandato?

 

Outro ponto que precisa ser posto na ferida: vereadores (principalmente os de primeiro mandato) que estão na metade do mandato, se licenciam para disputarem outros cargos eletivos com maior remuneração, não estão traindo confiança dos eleitores que os elegeram para cuidarem do município onde estão domiciliados ambos? Uma grande afronta ao eleitor, sem dúvida alguma, e cabe a ele dizer não a esse “vereador tampão”! Um agravante: esse “vereador tampão” se licencia, disputa as eleições, perde e depois reassume como se nada tivesse acontecido. Deveria, sim,  renunciar; isso seria mais lógico e ético!

 

Caras pintadas, intelectuais, estudantes... nós! Nós eleitores não podemos ficar calados. Vamos falar das eleições nos bares, nos shoppings, nas escolas, nas associações comunitárias, nas nossas casas, vamos discutir com colegas de trabalho, acessar sites jornalísticos e apartidários, riscar da nossa lista candidatos que estão envolvidos com escândalos e corrupção e, ah, os vereadores tampões!!

 

Pode ser que daqui a alguns anos, olhemos para nossos parlamentares com outros olhos. Pode ser que olhemos e acreditemos que suas palavras não serão meros discursos alienadores, mascarados. Mas, agora, pressionar é preciso para que o “projeto “ficha limpa” seja aprovado na Câmara e no Senado Federal, sancionado pelo Presidente da República e que passe a valer para as próximas eleições! Que esse projeto não seja mais uma ilusão ou que fique apenas no papel, que seja de fato, o começo da moralização política em nosso belo país.


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ENCHENTES, DESLIZAMENTOS... DE QUEM A CULPA?
Postado em 16/01/10 - 08h57

Ultimamente os noticiários estão repletos do que é assunto dominante: as enchentes e os deslizamentos nas encostas. As tragédias que ocorreram na virada do ano em Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, indicam-nos o quê? Tudo é fruto do acaso? Do destino? Não, definitivamente não! Isso acontece por que somos negligentes, somos tolerantes, somos inconsequentes e os nossos governantes incompetentes. Cometemos uma verdadeira insanidade.
 
Jogamos garrafas pet, latinhas de refrigerantes/cerveja, embalagens as mais diversas possíveis nas ruas, praças, ônibus... Queremos ficar livres de entulhos e permitimos jogá-los no lote vago, no quarteirão próximo de nossas casas. Aí, de repente, vem a chuva... Os bueiros entopem, as galerias também. O nível dos rios sobe, invade residências e locais de trabalho, hospitais, destrói móveis, conquistas de alguns anos, presentes recentes, leva vidas e vidas! E leva tudo o mais rua abaixo, estrada abaixo, morro abaixo.
 
Sabemos que nosso “piquenique” suja rios, fontes de águas: ah, que se dane, queremos distrair, brincar, quem quiser que limpe o lugar depois, pois pagamos pelo passeio, pagamos os impostos! Imprudência e pensamento tosco levam muitas pessoas  agirem assim.
 
Sabemos que não devemos ficar amontoando coisas inúteis em nossos quintais (em ruas, lotes vagos etc. e tal!) e também não nos preocupamos com a dengue e uma variedade enorme de doenças se proliferam, das quais estamos muito próximo de sermos vítimas e, quando somos acometidos por alguma delas, acusamos nosso vizinho, as autoridades públicas, alguém que mora perto de onde trabalhamos, estudamos ou fazemos nossa caminhada pró-saúde. Paradoxo, não?
 
Sabemos de muitas coisas e, oh, cruzamos os braços, fechamos os olhos... Autoridades, empreiteiras, engenheiros civis, arquitetos, todos fecham os olhos em nome do dinheiro, da prosperidade deles, sim, sabemos! Por que permitir construções em altos morros ou sopés das montanhas? Visão panorâmica, sossego, tranquilidade, qualidade de vida... Pois, sim, e as favelas com suas diversas construções irregulares e condições pífias, com quase a totalidade dos barracos em áreas de altíssimo risco  e que são problemas sociais desde 1940 e ninguém faz nada para mudar isso! Acorde Senado! Acordem Deputados! Acordem Governadores! Acordem Prefeitos! Acordem Vereadores! Acordam e trabalhem ao invés de ficarem guardando dinheiro nas cuecas, nas meias, enquanto o povo morre afogado, soterrado!
 
Ano após ano, a mesma história... Águas invadindo casas a beira-rio, inundando ruas, avenidas, praças, cobrindo cidades inteiras... Encostas deslizando, caindo sobre casas abaixo, destruindo estradas... E gente morrendo, morrendo, morrendo sem tempo de pensar que, infelizmente, contribuiu com isso. Sim, contribuímos por que nas eleições esses mesmos políticos que nada fazem, prometem, prometem, são reeleitos. Acorde povo!  
 
Que as encostas (imaginemos nossa cidade!) sejam desapropriadas, reflorestadas e se tornem locais de preservação ambiental. O quê? Desapropriar as encostas, fazê-las áreas de preservação ambiental, nem pensar, custa dinheiro demais! Limpar rios? Melhor contratar empreiteiras com ou sem licitação, reconstruir tudo sem nenhum projeto futuro ou de sustentação lógica. Aproveitar, sim, os recursos que vêm do governo, do Banco Mundial, dos impostos que o povo sofre pra pagar e tirar melhor proveito político da situação!
 
Que sejam adotadas políticas públicas de habitação, de saneamento básico etc. que possibilitem novo plano diretor para humanizar as construções, especialmente aquelas presentes em favelas e locais ocupados de forma desordenada, pois o Estado, que ali permite chegar água, luz, telefone (para auferir recursos financeiros com impostos e dividendos!), é responsável por meio principalmente do legislativo e do executivo e pode ser acionado, sim, pelo cidadão! 
 

Mas que o cidadão faça a sua parte! Manifeste-se o mais contundentemente possível contra aqueles governantes que não abrem mão do desenvolvimento sujo, imperialista e antiambiental que querem continuar impondo sobre o mundo


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NOVOS HORIZONTES PARA A CULTURA BETINENSE
Postado em 21/11/09 - 09h40

Escritores associados da Academia Betinense de Letras, por onde passam, recebem elogios pela participação da entidade na 1ª Conferência Municipal de Cultura, onde foi visível a manifestação em favor das instituições culturais de Betim e dos agentes  culturais que não moram em Betim, mas que contribuem  com a construção cultural da  cidade.

 

A conferência mostrou a força da participação popular, que delineou, para os próximos dez anos, as diretrizes da cultura em Betim.

 

Proeminentemente a cultura está no povo, é motivo para a perpetuação de uma civilização, porém sua continuidade nos dias atuais é de fundamental importância, pois, com o advento da globalização, permanentemente é preciso focalizar a identidade local para que ela seja fonte de orgulho e pesquisa para gerações futuras.

 

Os horizontes da Academia Betinense de Letras se expandiram com a participação dos seus escritores associados Ieda Alkimim e Paulo Ursine Krettli, delegados, Gil Bertho Lopes, convidado, e Francisca Ribeiro, observadora, os quais reforçaram as teses lançadas nas plenárias pelos demais membros da entidade como Antônio Fonseca, Gilberto Reis, Maria Cristina Viana, Tina Poeta, Manoel Fernandes, Eduardo Venâncio e todos os demais da ABEL que, por motivos pessoais, não puderam participar daqueles eventos.

 

Nós, escritores e demais artistas de Betim, vimos também uma FUNARBE de visão ampla, à frente de um projeto revolucionário, capaz de compreender que a cultura da cidade é dinâmica, autêntica e múltipla, respeitando, sobretudo, o artista e sua potencialidade.

 

A ABEL, na ocasião da 1ª Conferência Municipal de Cultura, relembrou as sábias palavras do seu querido membro e imortal Manuel Martins: “Éramos como se não existíssemos, de tão leve éramos, até que o tempo foi modificando as coisas”. E como foi preciso esperar! A ABEL e toda classe artística esperaram muito para ver seus anseios descortinados dentro do texto aprovado ao fim daquele encontro.

 

Uma enorme energia cívica e democrática foi mobilizada pela atual gestão da FUNARBE, que, entendendo ser a cultura como alicerce da classe artística betinense, abraçou-a prontamente.

 

O poeta Tomás Antônio Gonzaga disse assim em um de seus versos: “eu tenho o coração maior do que o mundo”. É assim que se sente o artista: traz em si o mundo e não o coração, traz a beleza que só seus olhos podem ver e a decifra em formas de poesia, música, artes plásticas, dança, sons, pequenos objetos... O artista traduz sentimentos e emoções que ultrapassam os limites estreitos da vida privada e produz o sopro da imaginação.

 

Quem sabe, agora, a luta feita de palavras, memórias, histórias, tintas e ritmos possa animar de vez o coração dos nossos queridos artistas e que eles continuem a produzir por muito e muito tempo.

 

Em nome de todos os escritores de Betim e da classe artística, se me permitam, agradeço imensamente a FUNARBE pela iniciativa e pela sua visão futurista.

 


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NOVOS HORIZONTES PARA A CULTURA BETINENSE
Postado em 21/11/09 - 09h40

Escritores associados da Academia Betinense de Letras, por onde passam, recebem elogios pela participação da entidade na 1ª Conferência Municipal de Cultura, onde foi visível a manifestação em favor das instituições culturais de Betim e dos agentes  culturais que não moram em Betim, mas que contribuem  com a construção cultural da  cidade.

 

A conferência mostrou a força da participação popular, que delineou, para os próximos dez anos, as diretrizes da cultura em Betim.

 

Proeminentemente a cultura está no povo, é motivo para a perpetuação de uma civilização, porém sua continuidade nos dias atuais é de fundamental importância, pois, com o advento da globalização, permanentemente é preciso focalizar a identidade local para que ela seja fonte de orgulho e pesquisa para gerações futuras.

 

Os horizontes da Academia Betinense de Letras se expandiram com a participação dos seus escritores associados Ieda Alkimim e Paulo Ursine Krettli, delegados, Gil Bertho Lopes, convidado, e Francisca Ribeiro, observadora, os quais reforçaram as teses lançadas nas plenárias pelos demais membros da entidade como Antônio Fonseca, Gilberto Reis, Maria Cristina Viana, Tina Poeta, Manoel Fernandes, Eduardo Venâncio e todos os demais da ABEL que, por motivos pessoais, não puderam participar daqueles eventos.

 

Nós, escritores e demais artistas de Betim, vimos também uma FUNARBE de visão ampla, à frente de um projeto revolucionário, capaz de compreender que a cultura da cidade é dinâmica, autêntica e múltipla, respeitando, sobretudo, o artista e sua potencialidade.

 

A ABEL, na ocasião da 1ª Conferência Municipal de Cultura, relembrou as sábias palavras do seu querido membro e imortal Manuel Martins: “Éramos como se não existíssemos, de tão leve éramos, até que o tempo foi modificando as coisas”. E como foi preciso esperar! A ABEL e toda classe artística esperaram muito para ver seus anseios descortinados dentro do texto aprovado ao fim daquele encontro.

 

Uma enorme energia cívica e democrática foi mobilizada pela atual gestão da FUNARBE, que, entendendo ser a cultura como alicerce da classe artística betinense, abraçou-a prontamente.

 

O poeta Tomás Antônio Gonzaga disse assim em um de seus versos: “eu tenho o coração maior do que o mundo”. É assim que se sente o artista: traz em si o mundo e não o coração, traz a beleza que só seus olhos podem ver e a decifra em formas de poesia, música, artes plásticas, dança, sons, pequenos objetos... O artista traduz sentimentos e emoções que ultrapassam os limites estreitos da vida privada e produz o sopro da imaginação.

 

Quem sabe, agora, a luta feita de palavras, memórias, histórias, tintas e ritmos possa animar de vez o coração dos nossos queridos artistas e que eles continuem a produzir por muito e muito tempo.

 

Em nome de todos os escritores de Betim e da classe artística, se me permitam, agradeço imensamente a FUNARBE pela iniciativa e pela sua visão futurista.

 


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TEATRO, DEMOCRACIA, ARTE, POVO!
Postado em 03/06/09 - 08h18

A origem do teatro possuía um caráter ritualístico quando os povos primitivos acreditavam que o uso de danças imitativas exercia poderes sobrenaturais que controlavam a sobrevivência, existindo, portanto, rituais de danças para tudo, desde a fertilidade da terra ao sucesso nas batalhas.

Não por mero acaso, foram na Grécia antiga, por meio dos Filósofos e Pensadores, que as questões e dúvidas (que, aliás, persistem até hoje)  sobre a Natureza começaram a ser discutidas e também o surgimento da Democracia, ou seja, governo do povo.

Fico imaginando a reação da sociedade grega, quando as primeiras tragédias e comédias foram apresentadas, isto porque as pessoas eram tão controladas pelos mitos  e pelo medo, que era puro ato de profanação qualquer menção contrária aos deuses.

O Teatro, apresentado em anfiteatros abertos, advém, portanto, da Grécia,  uma das mais importantes civilizações da antiguidade.  E os escritores exerciam papel fundamental neste contexto, seus textos dramáticos possuíam caráter educativo e político. Chegavam a reunir mais de 40 mil espectadores nos anfiteatros.

O desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem dos fenômenos naturais também modificou as características do teatro ritualista para o teatro educacional. Mais tarde, o teatro deu lugar a representações de lendas relacionadas aos deuses e heróis.

Tempos depois, os palcos  se abrem para as peças satíricas. Dentre seus percussores encontram-se Aristófanes, que cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois sua comédia mesclava a paródia mitológica com a sátira política.
Os escritores participavam tanto das atuações como dos ensaios e da idealização das coreografias. Sempre digo: toda arte começa pela mão do escritor!

Nessa dimensão do que representa a Grécia para a humanidade, Teatro e Democracia escreveram grandes páginas. Tristes, tortuosas; alegres, libertárias. Pelo menos, o povo teve (e tem) como se manifestar!

“Nós humanos fazemos parte da natureza. Comemos, bebemos, respiramos, temos filhos, envelhecemos. (...). Porém apenas os seres humanos são capazes de produzir cultura” (SCHMIDT, Mario Furley. Nova história crítica. ) Semântica da cidadania? Não apenas semanticidade, mas vozes independentes, criadoras, formadoras de opiniões: Teatro e Democracia não se limitam em si, ao contrário, se ampliam, permitem as mais diversas  cenas e contracenas emblemáticas, sutis, entrelinhas da palavra escrita.

“Independente de suas funções sociais, de debates de idéias, de suas conexões com a educação, como agente na formação da identidade cultural do cidadão, a atividade Teatral no Brasil é produtiva e geradora de empregos e renda” (WAGNER, Odilon, Teatro Como Desenvolvimento Social Econômico, São Paulo: Fórum Nacional, 2008), é necessário dizer: a busca de cidadania democrática e cultural passa pela conscientização política do povo, pois esse é construtor da cultura do seu tempo para a perpetuidade,  e pela conscientização cultural dos seus políticos, que devem legislar e fazer cumprir leis que priorizam a divulgação e proteção dos criadores e suas obras artísticas.

Criadores e criaturas se juntam e se misturam à abrangência da arte: ser grande também na forma de estar inserida mais perto do povo, que é sua semente, terra e arado, colheita imprescindível! E a  maneira mais fértil de concretizar essa grande obra é abrir espaços culturais – Teatro especialmente – e ocupá-los com o povo, pois é dele a estória, é dele a democracia da sua escolha.  

E, em Betim, falta o Teatro! Ele, de preferência Municipal, construído e entregue ao povo, garantirá colheita dos frutos da sabedoria, advinda dos escritores e atores, que,  nos saraus e espaços a eles abertos,  devem lutar por uma política cultural que venha condizer com o enorme talento que possuem.  Acorda Betim!

 

 

 

 


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Academia Betinense de Letras, mais um aniversário
Postado em 22/04/09 - 09h14

 

Nas comemorações dos vinte e  quatro anos da ABEL, tentarei fazer uma pequena retrospectiva dos últimos 6 anos à frente dessa casa literária.

 

A cada ano que se vai, esvaído pelo passar dos dias, nós, escritores e pensadores, nos degustamos em cada quinzena das atividades de nossa academia e companheirismo. Rimos, emocionamos, compartilhamos histórias e poesias.

 

Como esquecer a série Filósofos com a sabedoria da dialética de FRIEDRICH HEGEL em uma de suas frases memoráveis como que, ‘Na facilidade com que o espírito se dá por satisfeito pode-se medir a extensão daquilo que está perdendo’.

Como não nos surpreendermos com o existencialismo de JEAN-PAUL SARTRE e seu projeto ambicioso em ‘a interpretação total do mundo’; além desses, foram tantos  debates em Maquiavel, Marx, Weber, Nitt...

 

Não nos esquecemos dos nossos autores brasileiros, Escritores de A a Z, Adélia Prado, Affonso Romano de Sant'Anna, Barão de Itararé, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Heitor Cony, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha, Fernando Sabino, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Hélio Pellegrino, Hilda Hilst, João Cabral de Melo Neto, João Guimarães Rosa, Jorge Amado, Luis Fernando Veríssimo,  Lya Luft, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Mário de Andrade,  Manuel Bandeira  e Mario Quintana, que  vieram  nos trazer informações nescessárias e arte literária.

 

E mais: brindamos nossas reuniões com poesias e textos literários nossos, sendo aplaudidos e aplaudindo nossos companheiros, escutando, ensinando e sendo ensinados. Novos integrantes chegaram como Jonas Augusto, Eduardo Venâncio, Jaqueline Passos, Maria Sebastiana e Salles dos Reis, que trouxeram vivacidade, novas poesias, novos textos, novas histórias, novos desafios.

 

Imortalizamos quatro escritores associados, lançamos a  Antologia Intercolegial – Nossa Essência, promovemos o lançamento do romance policial ‘No Limite da Alma’, da  Presidente Ieda Alkimim, realizamos II Concurso Intercolegial de Poesias de Betim, fomos a Banca Julgadora do II Concurso Municipal Sorria Sem Droga, curadores do Concurso de poesias da Policia Militar,   fomos tema da Feira de Cultura da Escola Municipal do bairro  Citrolândia, realizamos nossa Sessão Solene, integralizamos, para o nosso meio, o Grupo Teatral Art & Fatos, participamos de alguns sarau, palestramos em algumas escolas, criamos o blogue 

 http://recantodasletras.uol.com.br/autores/academiabel e meio dele, nos fazemos presentes em Minas, no Brasil e no Mundo!

 

Esperamos que, no próximo ano, nosso banquete literário seja tão farto quanto o do ano que se finda e que nós estejamos aqui para brindarmos, por mais tantos outros dias, a Literatura, o Teatro, enfim, a Arte!

 

Nossas reuniões foram memoráveis... Como esquecer o belo texto de nosso amigo  Pedro Antônio Ursine Krettli, filósofo, teólogo, economista, professor e coordenador do Curso de História das Faculdades Integradas  Newton de Paiva “HISTÓRIA DE PAIXÃO, SOCORRO, VITÓRIA, GRAÇA E GLÓRIA”? O texto foi objeto de estudos e análise em uma das reuniões ordinárias de nossa casa literária, na qual foi solicitado dos escritores responderem as perguntas:  1º) Este texto pode ser gramaticalmente pontuado?  2º) Este texto revela alguma paranóia mental ou o autor quis fazer uma crítica generalizada ao comportamento do povo brasileiro diante si mesmo?  Foi um debate ótimo... Vamos lá, então?

 

Regenerado e já sem preguiça a resposta não podia deixar para depois sem ela carecia fumar cigarro atrás do outro não importando o diretor julgar melhor empregar a vida em algo duradouro como se fosse morrer amanhã ou aos oitenta em marcha lenta atravancando o trânsito na estrada mal iluminada o ronco do motor cortou o silêncio voltou a reinar girada a chave superando o pavor dos dias de escuridão não é mole arrancar danado para o grande premio correndo o boato e procurar surpreso descobrir a origem da bronca agüentando com resignação o menino ficou doido com as lavadeiras do lado de fora da portaria e desceu à cidade esgueirando pelas ruas bom mesmo é arranjar boa baiana e o café covarde na jardineira ou no trem ou no cinema ou na festa do dia das mães das assanhadas ou paradas de sete de setembro negro de cabelo feito para ir à missa de meia noite a turma veio a ordem do dia quebrar a cara de réu e de criança esperando compreensão de reunir adolescentes numa experiência terapêutica não foi de tudo um fracasso tremendo feito vara verde de receber o boletim antes das férias mais à vontade disfarçando nas palavras o comportamento arredio e escondendo a língua ferina de navalha recém afiada e de veneno de jararaca feito fuxico disparado a esmo procurando debalde recuperar a confiança  no ídolo parcimonioso em palavras e surdo pelo espocar das bombas e sozinho na viração da base pela certeza de não ser o homem um macaco ao desistir sem rodeios tentando sobreviver atolado no cotidiano e na lona extraindo durante a vigília lembranças do passado não levam à frente na ausência de um juízo definitivo sobre a razão prática e pura encabulava tal qual jegue empacado por ter perdido o rumo no sadio escândalo deitava em paz com a consciências trazendo sono tranqüilo se nasceu o homem para dormir à revelia do conhecimento e da fonte da angústia em correr atrás de uma bola cheia e redonda no tricampeonato mundial comemoração nunca houve coisa igual cantando e pulando como mineiro não faz confidência na rua desaguou todo mundo tocando banda na frente da liberdade de inveja de cima olhava o palácio morto nas grades chamou para dançar seu par caindo na farra deixando no ar a esperança “quae sera tamem” de ver de novo o raiar do sol sob a  espatifada miragem da solidão do povaréu embriagado pela saideira causou tamanha desordem no rio sem curva imprevista ou corredeira não pede previdência inútil de guardar lugar na fila do INPS tentando pegar peixe debaixo da ponte estéril por deparar tão cedo na esquina com a conterrânea pareceu coisa combinada no escuro uma segunda tentativa na cidade seguinte agarrando com unhas e dentes à tábua de salvação na terceira não perdendo tempo a condução quase em brasa agradeceu sem jeito não aparentado dor soprando o vento favorável careceu de ajuda esperando horas a fio sob uma árvore copuda sem freio oferecendo-se como companhia até à casa caída a noite aceitou a partida do ônibus pôs fim à empreitada sem ao menos ter o consolo de sentir o sabor da água da moringa pintando nas retinas a serena critica do gosto duvidoso da colagem executada apenas para despistar o espelho e o bilhete de duas sóbrias linhas marcando passo na ponta dos pés a precoce perda do arco-íris no verde plano das montanhas azulado atrás do gozo de viver entre uma anedota e outra do presidente ao beber sem comer nada depois tropeçar sem cair e então levantar sem dormir e acordar guerrilheiro amigo de padre não tira férias só na mortalha ou preso ao ficar noivo sem dinheiro para aliança das primeiras certezas cético ainda do amor eterno no finito compromisso andarilho de ir remando neste lago sem se deter na margem do país das flores do mal de fome besta acabou no fundo ninguém viu a copa sem a alma na boca de bebedeira Brasil grande é Deus criança maior com frio nesta noite plantando pneumonia na procissão de fantasma miúdo deu bode na policia federal a carta como artimanha de subversivo exigindo transparência de nome e endereço naquela arrogância típica do poder desmedido de controlar até comida e cigarro de visita acabando aloprado com interrogatório marcado como passarinho quase na gaiola de juiz de fora examinando a hipótese de relaxamento para impedir o casamento ao dar com os burros n’água continuando assim mesmo em busca da maturidade juvenil e da felicidade de superar com garra dificuldades às tulhas a inércia das palavras em ordem no biscate de aulas e rondeis semeando ao vento quilos de ouro de brogodo e dinheiro solto durante três noites o vicio condenou o pastor lançando impropérios contra a negociata no mercado paralelo e na delegacia queixou da podridão da zona onde casa nova safado levanta e conserva com zelo como nunca receando comprometer a iniciativa com o pouco caso no campo se planta morre taca noutro cova tímido broto para ganhar coragem de superar a falta de decisão de aparecer nos quatro bailes eletrônicos do carnaval e distribuir cinza na quarta e na quinta azeite as conveniências sociais sem perder o jeito aluado quase simplório de fracassar junto na relatividade do crepúsculo e no limite dos infernos da alma imortal o mesmo fim depois do corpo comendo em casa mal afamada emocionado com a notícia sem saber esperar a ordinária deve ter um filho da cor de fumo de rolo para passar tempo na travessia quase definitiva com Mariana acabou sem namorar atingindo a vetusta dimensão de saber ir levando a vida fruindo a beleza dissimulada em Aparecida o agradável presente do ensaio geral do coro partido do coração para desaguar no ânimo gesto de limpar os sapatos e polir o instrumento afinado no centro da metrópole rara flor perfuma e embeleza depois seca a luz voa a mariposa e morre a dizer não ao bem me quer mal perdeu a tarde pensando não vale a pena nem dá para esconder o fértil terreno de belas cores agrestes no ninho e no ar o medo de não voltar então carrega o piano forte colhendo o contemporâneo e Januária com desfaçatez quando se esfumaçar a sina de ficar maluco vendo carpideiras sem ela e cumprindo o oráculo de emancipar com ela sem totem ou talismã ou pedra filosofal.

 

Ainda o embalo dessa comemoração, nossa grata surpresa com a chegada de  Salles dos Reis, um grandioso escritor e amigo, para todos:   

 

A FORÇA DA POESIA

 

De todas as verdades ditas,

a que mais dói é a força da poesia.

O poeta não vê poesia em tudo não.

A poesia tem sua maestria nas entrelinhas

e cabe a nós decifrá-la aos leigos.

Somos, e como!, engenheiros de palavras,

de sentidos escondidos de hipóteses improváveis,

porém existentes em enunciados codificados.

Temos, e como!, a herança do saber decodificá-la,

apesar de encontrarmos, pelos caminhos,

os turrões e analfabetos de sentimentos;

esses, sim, estarão eternamente perdidos

e nunca verão a beleza da aurora

de um novo dia, dos amores das suas janelas,

e quando conseguirem vislumbrar as sinfonias

do bailar das letras,

serão recém-nascidos para a vida!
(Salles dos Reis)

................................................................

E você que é escritor, faça parte também da história da ABEL, junte-se a nós!


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AO DIA DA POESIA
Postado em 16/03/09 - 12h36

 
Poesia... Poesia, onde pulsa seu coração, sua vertente? Poesia como se define, se transpassa?
 
Segundo Pedro Lyra, em seu livro Conceito de poesia, 1986, poesia, “(...) é situada de modo problemático em dois grandes grupos conceituais: ora como uma pura e complexa substância imaterial, anterior ao poeta e independente do poema e da linguagem, e que apenas se concretiza em palavras como conteúdo do poema, mediante a atividade humana; ora como a condição dessa indefinida e absorvente atividade humana, o estado em que o indivíduo se coloca na tentativa de captação, apreensão e resgate dessa substância no espaço abstrato das palavra (...) e só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres (...)”.
 
No dia 14 último comemorou-se o Dia Nacional da Poesia, criado em homenagem ao dia do nascimento do Poeta Castro Alves, no ano de 1847.

MURMÚRIOS DA TARDE – Castro Alves
ONTEM à tarde, quando o sol morria,
A natureza era um poema santo,
De cada moita a escuridão saía,
De cada gruta rebentava um canto,
Ontem à tarde, quando o sol morria.
Do céu azul na profundeza escura
Brilhava a estrela, como um fruto louro,
E qual a foice, que no chão fulgura,
Mostrava a lua o semicirc'lo d'ouro,
Do céu azul na profundeza escura.
Larga harmonia embalsamava os ares!
Cantava o ninho — suspirava o lago...
E a verdade pluma dos sutis palmares
Tinha das ondas o murmúrio vago...
Larga harmonia embalsamava os ares.
Era dos seres a harmonia imensa,
Vago concerto de saudade infinda!
"Sol — não me deixes", diz a vaga extensa,
"Aura — não fujas", diz a flor mais linda;
Era dos seres a harmonia imensa!
(...)
                                                          Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1869.

Assim, festivamente, queremos brindar esse dia e a todos os leitores com poesias dos membros da ABEL (Academia Betinense de Letras).
 
DESEQUILÍBRIO DO MUNDO – Antônio Fonseca
O planeta Terra gira, no universo,/Regido por forças desconhecidas;/Deus, na sua infinita sabedoria,/Nele plantou o Homem com o esboço do saber.//O Homem, neste planeta, fez história,/Se tornou prepotente – dono de tudo!//Esse Homem caminha na astúcia ou no saber,/Leva a vida, sabe lá como!/Vasculha as ciências,/Descobre novidades./Faz a paz – guerreia depois./E acha tudo normal...//
Bate a cara no muro,/Come sargaços no mar./Corre com fome de gente,/É atropelado na curva do rio.//Esse Homem,/Com orgulho gigantesco,/Luta por notoriedade,/Autoridade e riquezas,/Porém, pobre de espírito!//Homem, Mulher, vale a pena lutar?/Por que, então, seu irmão/Arromba sua casa,/Rouba seu pão,/Veste sua roupa,/Come sua comida?
 
 
 
AUSÊNCIA – Paulo Ursine Krettli

Em casa: eu, Deus,/fotos (...) e um dia com algumas atividades./Varrer, tirar traças das paredes... Suar./Eta vida! E faço poesia... Eleições: fui eleito/pelo amor, pela espera de muitos anos,/pelos versos eloquentes da eternidade/e não estou só... Não estou só!/Hum... Cheiro de café novo pela casa!/Fragrâncias de ameixas... E com que profundidade/penetram em meu ser, em minhas mechas!/
De improviso, pós e poeiras./O almoço/(arroz, alface e ovos), servido no monólogo/desse dia, reflete a paz do amor. Alguns cacos do meu interior e uma pseudoterapia/renovam o cenário id./A estadia de minha memória mora por alguma amnesia/e, nessa simetria/que se me apresenta, ouso ver-me... Nublado o céu!/Durante todo o dia, a noite se esmerou/e, na fuga, vestiu-se solene às vésperas do tempo./Uma leveza tomou-me de ignoto silêncio.

OUTROS RIOS – Raimundo Pires da Costa (em memória)
 
Esperam por mim, por meus versos/Na tão longa ausência e vagar/De estar aqui sozinho/Nesta terrível solidão./A rua, lá longe, há de ser/Caminho, meu velho caminho/Da rua dos Passos, passagem/Da ponte via Muzungu,/Via Pau de paina, caminho/De Silvestre, sede da fábrica/E veio a ser depois Estação./Cedo, o sol trazia alegria.Tarde, no fim do dia, era a tristeza/De voltar sem nada de novo.
 
MANJA LÉGUAS – Manuel Martins
 
Manja Léguas. A capelinha branca./O sinozinho a tocar:/Vitalina tá em casa!/       Vitalina tá em casa!Os campônios rezando/- faz tantos anos.!//Eu, menino descalço e calças curtas, mãos postas e olhar pedidos.../No altar, a imagem a Virgem sorria./Sorria para os homens descalços da roça,/Para os meninos amarelos e barrigudos./Tristes homens e meninos da roça./Tristes, amarelos e barrigudos/- faz tantos anos!

CORVO
– Ieda Alkimim

Morri mil vezes.../Morri sentindo o peso do asfalto,/a ferida aberta, qual fissura do mundo!/O corte,/a dor,/a ausência,/a morte ao lado,/como sombra a perseguir-me.//Uma luz tímida reluz serena/sobre os altares fúnebres./O fundo abstrato da penumbra,/a beleza já esquecida/na lápide do meu coração empoeirado./O cheiro frio da lama é um refresco/reconfortante dos dias penosos;/dias de um vazio sombrio do meu mundo,/segundo a retina dos meus olhos./O corvo voa silencioso/
como a eternidade esticada no céu/de inexistência completa e absoluta./Não há melodias, não há sons,/apenas um batido fraco/de um coração moribundo./Os rios secaram.../Em suas margens/de águas leitosas e mal cheirosas,/respiro o homem e sua ambição/numa realidade total do homo sapiens,/de aventura precoce, sem limites/à própria destruição.

PROCURO ROSAS – Ana Maria de Moura
Procuro um lugar no espaço./Procuro um lugar escasso,/Mas procuro...//Procuro acender as velas/Quando há escuridão/E tudo para, tudo vira solidão.//Procurar, mas não achar,/É como ser feliz e não saber porque.//O porquê de procurar/E, apenas, encontrar/Pétalas de rosas espalhadas pelo mar.

ÁGAPE – Gilbertho Lopes

É tarde para cear./As alegrias não foram partilhadas/Nem contadas/Nem vividas;/Por toda vida colheu dissabores.//De natureza cética,/De coração empedernido,/A divagar, com olhos lassos,/Sem nada que pudesse acalorar/Ou lhe acender novas paixões.//Para o seu prazer,/O ciclo da própria voz,/O corpo quente solitário,/Artérias,/O sangue,/O delírio jorrando...

FUGINDO – Francisca Ribeiro
               Piso, me esmago.
              Percebo que o embalo
              do coração que flecha,
              flerta e fecha
              Penso em ti, 
             esmagando a mim.

A MORTE DENTRO DE MIM – Eduardo Venâncio
Por que, oh! Morte,/Faz-me soletrar versos insanos/Em dias de minha vida/E acabas com meus sonhos.//Vi correr, pelas campinas,/As verdes matas que tu matas/E pelas sombras, que tu levaste,/Andei e sobejei, disseste-me verdades.//
Mas, se um dia eu vir aqui/E não souber como acabar com isso,/Lembra-te, serei nada em um compartimento/De tristezas sofridas.//Morte a galopar, minhas verdades não direi./Mas casos contarei com receio,/Receio de que tudo acabe/No infinito jeito de se escrever.
 
QUERO TE VER! – Jonas Augusto
Com tu tenho que estar um momento.//Ah, penetrar tua alma quando me desfrutar do teu olhar,/encontrar minha essência ao escutar tua voz,/chegar ao céu modelando teu rosto;/tocar-te, tocar-te, como a um convite,/e dizer eu te amo!//Quero te ver! Quero te ver!/Em ti existe o mundo que sempre sonhei./A música, de ti, fica mais linda nesta manhã de domingo.//A cada tic tac do relógio e cantar das aves,/quero me desfrutar de tua presença.//Procuro-te, procuro-te!/Encontro-te somente no olhar do espelho.

GILBERTO REIS
Ah!.../Quando eu era criança,tanto sonho, tanta esperança./Eu tinha um colo para chorar./tinha mãos a me salvar/nas minhas aventuras de criança.//Hoje, não tenho mais colo/nem mesmo meus super-heróis!/Não mais histórias para dormir/nem aparece alguém para me acalantar!//Ah!.../Quanto eu era criança,/tanto sonho, tanta esperança,/não imaginando que, hoje,/eu sentiria saudades de mina infância

UM VIVO NOS OMBROS DA MORTE – Manoel Fernandes Dias

Que nome terei quando morrer?/Não serei mais filho/De José e Maria?/Não serei Emanuel?/E então?.../Quem me poderá dizer,/Agora, enquanto me corre nas veias/
Este vinho de falsa vida,/A migalha ou o tesouro que serei?//Talvez, eu continue por aqui ainda/Na boca de algum tolo. Em versos, diante da ânsia/De sorver a cerveja,/Pois só na arte o homem é perpétuo/.Imagino o meu posto de crítica/Observando o verso,/Saltando entre chuvas de saliva na boca/De um bêbado bailando na mesa.//A vida dos vivos/É um projeto sem esquema/Onde o arquiteto morto, realizado,/Não deixou vestígio de como caminhar para lá./O diagrama para se chegar à morte é nenhum,/Ela é certa.../O caminho da morte é a vida;/Não foi a vida que durou tanto,/Foi a morte que demorou a chegar hoje/E ela está mais próxima do que ontem./E lá, no túnel, quem serei?/Garanto não voltar/Para que gozem da mesma impaciência.

ZÉ CAIPIRA EM “NO SHOPPING” – Givan Macedo
Zé, tendo comprado a égua, foi à cidade comprar uma televisão.
- Bom dia, Zé, veio me visitar?
- Bão, vim comprar uma televisão.
- Uma televisão, Zé?!
- É... Vir o Chico com sua televisão e vim virificar.
- Onde você vai comprar?
- Na lorja, ora!
- Em que loja?
- Quarquer uma...
- Está bem, vamos ao shopping.
- Chopim?
- É o paraíso ds compras.
         
 No shopping...
- Ali tem uma, vamos olhar?
- Quantor custa?
- Três mil reais...
- Quantas polegadas?
- Trinta.
- Tar doido, vor embora...
- Zé, espere!
- Não vorto mais aqui, nunc mais!...
- Por quê?
- Se irto é paraíso, imagine o inferno
!
SÚPLICA – Lúcia Brito
Se me ensinarem a sonhar,/não morrei com meus sonhos sufocados.//Se me ensinarem a amar,/não morrerei como deliquente.//Se me ensinarem o sentido da paz,/não serei indivíduo-bomba.//Se me ensinarem os princípios/da Sabedoria Divina/e agirem como seres/que buscam a plenitude,/serei construtora da paz!
 
REFLEXOS NOTURNOS – Deck Carmona
No aniversário do meu travesseiro,/Meu corpo, ainda cansado do pesadelo,/Repousava na imensidão do quarto./O quarto, velho amigo confidente,/Atelier de tantas alegorias virtuais,/Projetava, na parede, os reflexos noturnos./Os sonhos, em  parceria com a ilusão,/Esculpiam, em pedras brutas, jóias raras./Quando entravam em alfa,/Os visitantes do além vinham constatar,/Se eu estava, de fato, comigo mesmo./Por trás da antiga veneziana,/Se escondia o enigma das mil e uma noites./Da vidraça da janela, longínquas estrelas/Transpunham-me para o infinito./As noites de inverno esquentavam as esperanças,/As noites de verão esfriavam os desejos.../E, assim, o tempo avançava pela vida afora,/Indo se perder na imensidão do nada./Os valores das coisas da vida/Ainda não valem o preço do meu coração/E viver em paz, os sinceros prazeres,/Vai se tornando o mais nobre privilégio./No terceiro aniversário de meu travesseiro,/Olhei no espelho do meu quarto/E vi que não estava totalmente sozinho./Então... Confortei  o meu espírito/E adormeci.
O QUE SOU? – Cristina Viana
Sou terra, sou água,/O barro para você pisar./Sou lua, flor, perfume para você enamorar./Sou poesia triste, um coração a pulsar./Pulsar no ritmo que você quer,/
A hora que precisa, no momento exato,/À pura certeza da morte.//Caso não sinta esse pulsar/Vagando feito andarilho, sem rumo,/Na incerteza, uma única esperança/De ver seu rosto surgindo no meio da multidão,/Por entre gotas de chuva/Que jamais conseguirão molhar minha solidão.//Vejo/Que a mais pura e singela flor/Desfolhou e caiu.
 
AO POETA – Tina Poeta
 
Chora poeta, chora!/Deixa as lágrimas rolarem,/Derrama do peito as mágoas/E me conta a sua história.//Brinca poeta, brinca!/Faça de tudo uma comédia,/Transmita a magia da vida/Em seus muitos mágicos versos.//Sorria poeta, sorria!/Transmita a sua alegria,/Deixe de tanta agonia.../Use a sua força/De transformar tudo, assim,
Como num toque de mágica,/E faça uns versos só para mim.
 
 

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FILOSOFANDO A CRISE
Postado em 25/02/09 - 13h39

"Crise”. Esta é a palavra mais comentada nos últimos meses. E o Brasil capitalista – via empresa multinacional e de capital misto - é um fervoroso adepto à crise. Mesmo que tenham ganhado imensas fortunas à custa de isenções fiscais, de benesses dos governos federal, estadual e municipal, além da exploração maciça da mão-de-obra, as empresas produtivas e especulativas tratam de desvencilhar da criatividade e dispensam milhares e milhares de trabalhadores com o intuito de pressionar o mercado para baixo e lucrar nas contratações futuras e nas negociações com os sindicatos.
 
Ora, as crises são cíclicas, provocadas, tendenciosas. Elas trabalham única e exclusivamente para o capitalismo, o selvagem sobretudo! Esse mesmo capitalismo, que favorece a corrupção, o superfaturamento de produtos e obras, principalmente as públicas, vive no mundo cem por cento especulativo, com as bolsas de valores espalhando dividendos para quem pode mais, pois informações privilegiadas existem, são monitoradas.
 
Grandes pensadores, como Karl Marx, deslumbraram o capitalismo como instrumento de suas próprias e esperadas crises, onde se cria o estereotipo de se levar vantagem em tudo, sempre buscando a valorização do produto e a desvalorização do trabalho como mera mercadoria. Bernard de Mandeville, em seu satírico poema “A fábula das abelhas” descreveu que o progresso e a prosperidade advinda do crescimento econômico eram frutos de interesses egoístas , vícios e não virtudes.E que esses vícios do individualismo aumentaria a riqueza das nações.
 
Na Arte também existem as crises. Essas, de certo modo, advêm-se das discussões e das teorias sobre o que existia e considerado superado. Barroco, Rococó, Expressionismo, Impressionismo, Realismo, Romantismo, Simbolismo, Dadaísmo, Modernismo etc., tudo foi fruto de debates, teses, antíteses, sínteses de um sobre o outro, se sucedendo, se aprimorando, se casando, se conectando e vivendo conjuntamente.
 
Literatura e Artes Plásticas são exemplos dessa mutação surpreendente e que, por várias e várias civilizações, perduram com seus segredos e enigmas: Monalisa, Os Lusíadas, Grande Sertão Veredas, Servidão Humana, Otelo, Homero, Drummond, Picasso, Neruda, Cora, Platão, Aristóteles... Que todo homem tivesse acesso a esses e vários outros valiosos tributos das artes, talvez não tivéssemos tamanha banalização do homem pelo homem, principalmente a banalização dos costumes. 
 
 

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ABEL: EM DEFESA DA CLASSE ARTÍSTICA DE BETIM
Postado em 08/02/09 - 12h58

            Diz o ditado que “a Justiça tarda, mas não falha” e foi que aconteceu na Promotoria de Justiça da Comarca de Betim em 19/01/2009, quando da celebração do termo de “ajustamento de conduta” entre aquela distinta Promotoria e a FUNARBE.
 
A Justiça se fez!  O “Termo de Ajustamento de Conduta” é resultado da posição   que a Academia Betinense de Letras tomou em favor a  um pedido de um artista betinense, que fora negado pela FUNARBE. Assim, em dezembro de 2007, a Academia Betinense de Letras solicitou à Promotoria Pública da Comarca de Betim que a FUNARBE disponibilizasse as Planilhas de Aprovação Orçamentária, um direito nosso previsto no Artigo 42 do Decreto 15.572, de 07 de abril de 2000, que regulamentou a Lei 3.264/99, denominada Lei de Incentivo à Cultura.
 
Aqui dois desabafos, não da Presidente da Academia Betinense de Letras, Ieda Alkimim, mas dos seus escritores associados: 1º) Em nenhum momento a Academia Betinense de Letras foi e será “fachada de interesses financeiros privados”, como expôs a FUNARBE, em 21/01/2008, na sua defesa ao Promotor Público desta Comarca - ciente estamos que tomaríamos a mesma atitude em defesa de qualquer segmento artístico, seja lá o partido ou governo em gestão;  2º) Em retaliação ao pedido da Academia Betinense de Letras ao Promotor Público de Betim, a FUNARBE, a partir de março de 2008, ignorando a liberdade de o livre associar dos funcionários públicos municipais à entidade literária, não mais descontou as mensalidades dos funcionários mantidos por ela, mesmo contra a vontade deles.
 
            A Academia Betinense de Letras, mais conhecida como ABEL, é uma entidade de classe literária, com seus escritores associados tendo os mais diversos credos religiosos e posições políticas, situada à Rua Milton Vieira Pinto, 13, bairro Angola, funcionando de segunda a sexta-feira, de 09h00 a 12h00, e se reúne ordinariamente ao primeiro e ao terceiro sábado do mês, de 09h00 a 12h00.
 
Abaixo, na íntegra, os termos do ajustamento de conduta, comunicado à Presidente da Academia Betinense de Letras em 06/02/2009.
 
           
“Aos dezenove dias do mês de janeiro de 2009, às 15 horas, na sede do Ministério Público, materializou-se a celebração de ajustamento de conduta, para o deslinde extrajudicial dos fatos verificados no procedimento preparatório nº 24/08, o que foi aceito pelo Exmo. Presidente da FUNARBE, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes, acompanhado do ilustre Assessor Jurídico Dr. Marcos Wellington de Castro Tito, inscrito na OAB/MG 20.413, firmando-se o seguinte:
 
            1 - Obriga-se a FUNARBE a conferir a efetividade aos princípios da publicidade e da transparência administrativa, facultando a qualquer pessoa física ou jurídica informações ou cópias, quando solicitadas por escrito, de quaisquer documentos públicos inerentes ao exercício de suas atividades estatutárias, não cobertos por sigilo administrativo.
 
            2 - O presente termo de ajustamento de condutas tem eficácia plena, sem prazo de exaurimento, vinculando a presente e futuras administrações da FUNARBE, enquanto permanecer vigente o princípio constitucional impositivo dos deveres gerais direcionados ao Poder Público (artigo 37, caput, da Constituição Federal).
 
            3 - O exame do cumprimento do presente acordo será feito pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, diretamente ou mediante provocação de qualquer cidadão.
 
            4 - Ocorrendo o descumprimento de quaisquer das obrigações previstas no termo de ajustamento de conduta, responderá a FUNARBE pelo pagamento de multa equivalente a R$ 1.000.00 (mil reais), corrigida monetariamente desde a data de vigência do presente ajuste, para cada ofensa ás cláusulas do ajuste, individualmente verificada.
           
            5 - A multa incidirá com a total ou parcial inadimplência ou quebra de quaisquer cláusulas fixadas, independentemente de interpelação judicial ou extrajudicial, estando a Câmara Municipal de Betim constituída em mora com o simples vencimento dos prazos fixados.
 
            6 - O valor da multa será revertido pra o Fundo Estadual - FUNEMP, destinado ao aperfeiçoamento e reaparelhamento institucional para o combate ao crime organizado e a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e outros interesses difusos e coletivo, regidos pelas Leis Complementares Estaduais nº 67/2003 e 80/2004:  Banco  do  Brasil S/A - nº 001, Agência nº 1615-2, Conta corrente nº 6167-0.
 
            7 - A multa ora pactuada não é substitutiva das obrigações fixadas, que remanescem à aplicação da mesma, independente das sanções penais ou de improbidade administrativa decorrentes.
 
            8 -  Estabelece-se a presente data para o início da vigência do ajuste de condutas.
 
             Nada mais havendo, foi lavrada a presente ata, que lida de achada conforme, foi por todos assinada.                  
 
                                            Betim, 19 de janeiro de 2009 ”
 
            Assinaram o documento os citados no termo acima.
 
Este “ajustamento de conduta” é uma vitória da Academia Betinense de Letras e da classe artística de Betim! O ilustre Promotor de Justiça da Comarca de Betim, Dr. Marcos Pereira Anjo Coutinho, propôs o ajuste de conduta dentro do cumprimento de uma Lei existente e que não estava sendo devidamente observada, ao mesmo tempo em que o atual Presidente da FUNARBE, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes, ao tomar conhecimento do pleito da Academia, se portou como gestor democrático, o que dá à classe artística de Betim novo alento.
 
Agindo assim, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes conquistou o respeito, o apoio e a credibilidade da Academia Betinense de Letras e, certamente, conquistará toda classe artística de Betim!
 

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ABEL: EM DEFESA DA CLASSE ARTÍSTICA DE BETIM
Postado em 08/02/09 - 12h58

            Diz o ditado que “a Justiça tarda, mas não falha” e foi que aconteceu na Promotoria de Justiça da Comarca de Betim em 19/01/2009, quando da celebração do termo de “ajustamento de conduta” entre aquela distinta Promotoria e a FUNARBE.
 
A Justiça se fez!  O “Termo de Ajustamento de Conduta” é resultado da posição   que a Academia Betinense de Letras tomou em favor a  um pedido de um artista betinense, que fora negado pela FUNARBE. Assim, em dezembro de 2007, a Academia Betinense de Letras solicitou à Promotoria Pública da Comarca de Betim que a FUNARBE disponibilizasse as Planilhas de Aprovação Orçamentária, um direito nosso previsto no Artigo 42 do Decreto 15.572, de 07 de abril de 2000, que regulamentou a Lei 3.264/99, denominada Lei de Incentivo à Cultura.
 
Aqui dois desabafos, não da Presidente da Academia Betinense de Letras, Ieda Alkimim, mas dos seus escritores associados: 1º) Em nenhum momento a Academia Betinense de Letras foi e será “fachada de interesses financeiros privados”, como expôs a FUNARBE, em 21/01/2008, na sua defesa ao Promotor Público desta Comarca - ciente estamos que tomaríamos a mesma atitude em defesa de qualquer segmento artístico, seja lá o partido ou governo em gestão;  2º) Em retaliação ao pedido da Academia Betinense de Letras ao Promotor Público de Betim, a FUNARBE, a partir de março de 2008, ignorando a liberdade de o livre associar dos funcionários públicos municipais à entidade literária, não mais descontou as mensalidades dos funcionários mantidos por ela, mesmo contra a vontade deles.
 
            A Academia Betinense de Letras, mais conhecida como ABEL, é uma entidade de classe literária, com seus escritores associados tendo os mais diversos credos religiosos e posições políticas, situada à Rua Milton Vieira Pinto, 13, bairro Angola, funcionando de segunda a sexta-feira, de 09h00 a 12h00, e se reúne ordinariamente ao primeiro e ao terceiro sábado do mês, de 09h00 a 12h00.
 
Abaixo, na íntegra, os termos do ajustamento de conduta, comunicado à Presidente da Academia Betinense de Letras em 06/02/2009.
 
           
“Aos dezenove dias do mês de janeiro de 2009, às 15 horas, na sede do Ministério Público, materializou-se a celebração de ajustamento de conduta, para o deslinde extrajudicial dos fatos verificados no procedimento preparatório nº 24/08, o que foi aceito pelo Exmo. Presidente da FUNARBE, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes, acompanhado do ilustre Assessor Jurídico Dr. Marcos Wellington de Castro Tito, inscrito na OAB/MG 20.413, firmando-se o seguinte:
 
            1 - Obriga-se a FUNARBE a conferir a efetividade aos princípios da publicidade e da transparência administrativa, facultando a qualquer pessoa física ou jurídica informações ou cópias, quando solicitadas por escrito, de quaisquer documentos públicos inerentes ao exercício de suas atividades estatutárias, não cobertos por sigilo administrativo.
 
            2 - O presente termo de ajustamento de condutas tem eficácia plena, sem prazo de exaurimento, vinculando a presente e futuras administrações da FUNARBE, enquanto permanecer vigente o princípio constitucional impositivo dos deveres gerais direcionados ao Poder Público (artigo 37, caput, da Constituição Federal).
 
            3 - O exame do cumprimento do presente acordo será feito pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, diretamente ou mediante provocação de qualquer cidadão.
 
            4 - Ocorrendo o descumprimento de quaisquer das obrigações previstas no termo de ajustamento de conduta, responderá a FUNARBE pelo pagamento de multa equivalente a R$ 1.000.00 (mil reais), corrigida monetariamente desde a data de vigência do presente ajuste, para cada ofensa ás cláusulas do ajuste, individualmente verificada.
           
            5 - A multa incidirá com a total ou parcial inadimplência ou quebra de quaisquer cláusulas fixadas, independentemente de interpelação judicial ou extrajudicial, estando a Câmara Municipal de Betim constituída em mora com o simples vencimento dos prazos fixados.
 
            6 - O valor da multa será revertido pra o Fundo Estadual - FUNEMP, destinado ao aperfeiçoamento e reaparelhamento institucional para o combate ao crime organizado e a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e outros interesses difusos e coletivo, regidos pelas Leis Complementares Estaduais nº 67/2003 e 80/2004:  Banco  do  Brasil S/A - nº 001, Agência nº 1615-2, Conta corrente nº 6167-0.
 
            7 - A multa ora pactuada não é substitutiva das obrigações fixadas, que remanescem à aplicação da mesma, independente das sanções penais ou de improbidade administrativa decorrentes.
 
            8 -  Estabelece-se a presente data para o início da vigência do ajuste de condutas.
 
             Nada mais havendo, foi lavrada a presente ata, que lida de achada conforme, foi por todos assinada.                  
 
                                            Betim, 19 de janeiro de 2009 ”
 
            Assinaram o documento os citados no termo acima.
 
Este “ajustamento de conduta” é uma vitória da Academia Betinense de Letras e da classe artística de Betim! O ilustre Promotor de Justiça da Comarca de Betim, Dr. Marcos Pereira Anjo Coutinho, propôs o ajuste de conduta dentro do cumprimento de uma Lei existente e que não estava sendo devidamente observada, ao mesmo tempo em que o atual Presidente da FUNARBE, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes, ao tomar conhecimento do pleito da Academia, se portou como gestor democrático, o que dá à classe artística de Betim novo alento.
 
Agindo assim, Dr. Aderbal Hipólito Lara Gomes conquistou o respeito, o apoio e a credibilidade da Academia Betinense de Letras e, certamente, conquistará toda classe artística de Betim!
 

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A ABEL E SEUS COLABORADORES
Postado em 11/07/08 - 09h45

Ao longo desses anos, a ABEL (Academia Betinense de Letras) se mantém com a contribuição mensal dos seus Associados Contribuintes, funcionários públicos municipais que autorizam desconto em folha de 2% do salário mínimo.
A ABEL agradece essa valorosa colaboração: ela se movimenta e ganha conteúdo e contorno através dos seus Escritores Associados, que se reúnem quinzenalmente na Sede provisória, debatendo e registrando a história da cidade, desde as coisas simples àquelas universais, abstratas, enfim, a vida.
Em cada página que se escreve na ABEL, há o sentimento de que o Associado Contribuinte está em seu meio, presente com seu sorriso, com seu afeto; essa valorosa colaboração ajuda também na construção da Sede própria da Academia, com muita dificuldade, é verdade, mas com perseverança!
A ABEL se movimenta, busca revelar novos talentos para a Literatura por meio do Concurso Intercolegial de Poesias de Betim, neste ano em sua terceira edição, onde os alunos das escolas públicas e particulares retratam emoções e fatos da cidade.
           Pessoas, instituições e associações da classe artística acreditam no que a ABEL prima fazer: Literatura com simplicidade e qualidade. Os parceiros da ABEL a inserem nos eventos e programações que produzem e realizam: o Grupo de Teatro Art & Fatos, a Livraria Acta, a PUC Minas Contagem e a UNIPAC Betim, essas últimas recebendo respectivamente as peças teatrais “Cheiro da Mulher” e “Sombras Noturnas” (textos dos Escritores Associados Manoel Fernandes, Paulo Ursine Krettli e Ieda Alkimim, além do escritor português Fernando Pessoa, com encenação dos atores do Art & Fatos); por meio de suas bancas julgadoras, a ABEL contribui com os concursos de poesia da Secretaria Municipal Antidrogas e da Polícia Militar de Minas Gerais.
A contribuição mensal dos Associados Contribuintes permite que a ABEL participe de eventos e palestras promovidas pelas escolas públicas e particulares, pelas universidades; permite também que a Academia mantenha o seu portal  www.academiabetinensedeletras.prosaeverso.net, onde se vê e sente a maravilhosa caminhada dos Escritores Associados, pérolas cada vez mais lapidadas - poesias e prosas para todas as idades!
A ABEL recebe apoio cultural da empresa betinense Cartucho Express (Avenida JK, 131, Centro – telefones 3531-7526 e 3053-1027), que tem auxiliado sobremaneira com materiais que possibilitem confecção e impressão dos comunicados, cartazes, livros da entidade, como “Antologia Intercolegial” e “Cheiro da Mulher”.
A ABEL se movimenta,  busca outras fontes de receitas para suprir as muitas despesas, como contas de água, luz, telefone, aluguel. Atualmente, a venda do livro “No Limite da Alma”, romance policial de Ieda Alkimim, contribui com 20% do valor de capa. O interessado em prestigiar a ABEL pode adquirir o livro na sua Sede provisória (Rua Mílton Vieira Pinto, 13 – próximo ao Betim Shopping), por R$ 25,00 (Vinte e Cinco Reais).
Com o propósito de arrecadar recursos para auxiliar na continuidade das obras da Sede própria, a escritora Ieda Alkimim está participando do concurso literário promovido pela Literatura Livre, através do site www.literaturalivre.com.br e concorre com os poemas PROFANO, CORVO e RECUSA e conta com o apoio dos amigos betinenses.
A ABEL se movimenta, busca alternativas para modernizar suas instalações e equipamentos, produz propostas para estar junto à comunidade, tendo seu “Projeto Avançar” aprovado pela Lei Rouanet, que foi encaminhado a várias empresas de Betim, que ainda não deram retorno.
Há que se ressaltar que a ABEL é uma instituição que se mantém com esses recursos e apoio cultural, com as mensalidades dos Escritores Associados, não tendo nenhum respaldo financeiro de qualquer órgão público que seja.
 

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A ABEL E SEUS COLABORADORES
Postado em 11/07/08 - 09h45

Ao longo desses anos, a ABEL (Academia Betinense de Letras) se mantém com a contribuição mensal dos seus Associados Contribuintes, funcionários públicos municipais que autorizam desconto em folha de 2% do salário mínimo.
A ABEL agradece essa valorosa colaboração: ela se movimenta e ganha conteúdo e contorno através dos seus Escritores Associados, que se reúnem quinzenalmente na Sede provisória, debatendo e registrando a história da cidade, desde as coisas simples àquelas universais, abstratas, enfim, a vida.
Em cada página que se escreve na ABEL, há o sentimento de que o Associado Contribuinte está em seu meio, presente com seu sorriso, com seu afeto; essa valorosa colaboração ajuda também na construção da Sede própria da Academia, com muita dificuldade, é verdade, mas com perseverança!
A ABEL se movimenta, busca revelar novos talentos para a Literatura por meio do Concurso Intercolegial de Poesias de Betim, neste ano em sua terceira edição, onde os alunos das escolas públicas e particulares retratam emoções e fatos da cidade.
           Pessoas, instituições e associações da classe artística acreditam no que a ABEL prima fazer: Literatura com simplicidade e qualidade. Os parceiros da ABEL a inserem nos eventos e programações que produzem e realizam: o Grupo de Teatro Art & Fatos, a Livraria Acta, a PUC Minas Contagem e a UNIPAC Betim, essas últimas recebendo respectivamente as peças teatrais “Cheiro da Mulher” e “Sombras Noturnas” (textos dos Escritores Associados Manoel Fernandes, Paulo Ursine Krettli e Ieda Alkimim, além do escritor português Fernando Pessoa, com encenação dos atores do Art & Fatos); por meio de suas bancas julgadoras, a ABEL contribui com os concursos de poesia da Secretaria Municipal Antidrogas e da Polícia Militar de Minas Gerais.
A contribuição mensal dos Associados Contribuintes permite que a ABEL participe de eventos e palestras promovidas pelas escolas públicas e particulares, pelas universidades; permite também que a Academia mantenha o seu portal  www.academiabetinensedeletras.prosaeverso.net, onde se vê e sente a maravilhosa caminhada dos Escritores Associados, pérolas cada vez mais lapidadas - poesias e prosas para todas as idades!
A ABEL recebe apoio cultural da empresa betinense Cartucho Express (Avenida JK, 131, Centro – telefones 3531-7526 e 3053-1027), que tem auxiliado sobremaneira com materiais que possibilitem confecção e impressão dos comunicados, cartazes, livros da entidade, como “Antologia Intercolegial” e “Cheiro da Mulher”.
A ABEL se movimenta,  busca outras fontes de receitas para suprir as muitas despesas, como contas de água, luz, telefone, aluguel. Atualmente, a venda do livro “No Limite da Alma”, romance policial de Ieda Alkimim, contribui com 20% do valor de capa. O interessado em prestigiar a ABEL pode adquirir o livro na sua Sede provisória (Rua Mílton Vieira Pinto, 13 – próximo ao Betim Shopping), por R$ 25,00 (Vinte e Cinco Reais).
Com o propósito de arrecadar recursos para auxiliar na continuidade das obras da Sede própria, a escritora Ieda Alkimim está participando do concurso literário promovido pela Literatura Livre, através do site www.literaturalivre.com.br e concorre com os poemas PROFANO, CORVO e RECUSA e conta com o apoio dos amigos betinenses.
A ABEL se movimenta, busca alternativas para modernizar suas instalações e equipamentos, produz propostas para estar junto à comunidade, tendo seu “Projeto Avançar” aprovado pela Lei Rouanet, que foi encaminhado a várias empresas de Betim, que ainda não deram retorno.
Há que se ressaltar que a ABEL é uma instituição que se mantém com esses recursos e apoio cultural, com as mensalidades dos Escritores Associados, não tendo nenhum respaldo financeiro de qualquer órgão público que seja.
 

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A literatura e o apoio das empresas
Postado em 19/06/08 - 08h57

            A Literatura e outras manifestações artísticas não têm sido olhadas com o devido respeito pelo poder público; isto é um fato e volto a expor: tratam a cultura com migalhas e não têm políticas públicas culturais que venham interagir artista/arte/população. O artista nas escolas públicas, nas bibliotecas, nos órgãos públicos, levando divertimento, poemas, livros, artesanato, música, teatro, sendo valorizado e recebendo pelo trabalho, sendo motivo de orgulho do Município, pois ele universaliza a particularidade das ruas, da tradição, das estórias, das lendas, etc.
            Na outra face da moeda e com o mesmo procedimento, estão as empresas privadas e de grande porte que não repõem, como deveriam fazer, aquilo que o poder público concede a elas quando da sua instalação: doação de terrenos, isenção de impostos por xis anos e outros incentivos.
            Verdade que geram empregos e dividendos para o Município. Mas qual percentual de empregados dessas empresas mora no Município? Qual a contrapartida social que as empresas oferecem ao Município? O que se viu (e ainda se vê) foi a chegada da falsa esperança e do enganador eldorado: milhares de pessoas chegando de outros lugares e se proliferando em aglomerados sem as mínimas condições de vida e, sem trabalho, partindo para a vida fácil, o crime, as drogas, piorando, assim, as condições de vida do então tranqüilo Município. Não, não esqueci que meu assunto é Literatura! Mas, no meu último artigo, eu disse que o escritor tem o dever estar atento à questão social, vivenciá-la em sua obra.
Voltando às empresas privadas de grande e médio porte, principalmente no Município onde estão instaladas, elas também têm uma dívida muita grande com a cultura local, pois, mesmo sabendo que terão isenção de impostos, não apóiam entidades de classes artísticas que as procuram com projetos aprovados em orçamentos da União, como a Lei Rouanet por exemplo, preferem devolver os percentuais autorizados à contrapartida social aos cofres do governo, que pouco fazem, diga-se de passagem, pela educação e cultura no país! A cultura, a literária sobretudo, perpetua os valores do Município, registrando-os nos anais da civilização.
 
                                         
             CONCURSO LITERÁRIO
 
            A ABEL (Academia Betinense de Letras) comunica que estão abertas as inscrições para o III Concurso Intercolegial de Poesias de Betim. Poderão participar alunos das escolas públicas municipais/estaduais e particulares. Maiores informações pelo 3532-5168 ou à Rua Milton Vieira Pinto, 13 – Angola, próximo ao Betim Shopping.

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Produção literária e valorização do escritor
Postado em 05/06/08 - 08h45

                                                                                                          
Falar da produção literária sem nenhum senso crítico seria tolice, por que, infelizmente, a maioria dos escritores pós-modernos, não tem a pretensão de máxima originalidade como os modernistas tiveram.

Qual deveria ser nossa preocupação como escritores? Qual o real valor do escritor do século XXI?
 
Nossa preocupação deve ser, antes de tudo, elaborar textos levando em consideração a lógica necessária de tempo ou espaço e personagens comprometidos socialmente e com psicologia definidas.
A literatura precisa fazer um retrato da realidade e não apenas um jogo consigo mesma, com o eu lírico, o egocentrismo, enfim, sem levar em consideração com o que ocorre em nosso redor.

O escritor não pode mais viver a utopia. Pergunte-se, ao escrever um texto, uma crônica, uma poesia, um romance: realizei, com minha obra, algo de real valor para a sociedade ou apenas atendi ao meu próprio ego? Não permitamos transformar nosso dom em um exercício lúdico e fácil, pouco crítico, cultura pouco apurada e destinada ao consumo de massa, apenas comercial e que em meses será esquecida para sempre.  

Como é possível ignorar nossa responsabilidade como literatos? Não é possível? Ouso dizer mais uma vez: sem comprometimento social não existe valorização, não existe produção literária de qualidade.
Francamente: falta apoio real dos governantes e dos empresários do setor gráfico e editorial para com os escritores novos e com as várias Academias de Letras por esse país afora.

O que se tem feito a favor da valorização literária? 

Muitas leis e mais nada! Para citar apenas um exemplo: em Santa Catarina existe a Lei Grando, a qual estabelece que o Estado deve adquirir exemplares de livros de autores novos para distribuição às bibliotecas públicas municipais, o que seria um grande passo para a divulgação da produção literária local. É claro que, para isso, seria feita uma seleção, pela Comissão Catarinense do Livro, para que os livros escolhidos tivessem um mínimo de qualidade. A lei é de 1992 e até hoje não foi cumprida, apesar de sucessivas cobranças pela imprensa e por entidades culturais, ano após ano, governo após governo, e o escritor cada vez mais eremita, cada vez mais excluído, salvo lembrado em algumas ocasiões.

Nada impede que secretarias de educação e de cultura de todos os Municípios tenham projetos voltados para o reconhecimento e valorização do escritor local. Fazendo isso, não só estimulará a leitura no Município, mas também o  interesse dos  novos escritores em realizar  produção literária de nível.
Manuel Martins, escritor de talento e vanguarda extraordinários, falando desta profissão tão silenciosa escreveu: “Éramos como se não existíssemos, de tão leve éramos. Porém, em volta, o tempo ia modificando as coisas”. Pois bem, este escritor, os muitos da Academia Betinense de Letras (e de tantas outras no Brasil) e também da cidade de Betim vivem (como a maioria dos escritores vivos) momentos difíceis, sem perspectivas de sobreviverem da própria criação literária.

Concursos literários e leis de incentivo à cultura, instrumentos momentâneos que o poder público utiliza para ufanar e dizer que está fazendo alguma coisa para a literatura, o teatro, o artesanato, etc., não preenchem a lacuna de uma política cultural eficiente que ampara de fato o escritor, o artesão, o dramaturgo, em suma, as pratas da casa... Primeiro, por que são exigidos mil e uma coisas para que haja participação do processo de seleção na maioria dos concursos e nas leis existentes. Segundo, por que o escritor contemplado parte sozinho para uma aventura: se vencer um concurso literário, receberá o prêmio em publicação de livros (alguns pagam em espécie), fica na mídia um tempinho e desaparece (caso não tenha o tal padrinho...); se é contemplado com a lei de incentivo à cultura, ele corre atrás da diagramação, da revisão, da gráfica, além de dar dez por cento do valor a ser recebido para a confecção do livros (ou da peça de teatro, ou um conjunto de obras em pintura, etc.), faz o lançamento, que é prestigiado basicamente pelos amigos, companheiros de trabalho e parentes, e depois?

Depois os livros ficam encalhados, o artesanato guardado, a peça de teatro não sendo vista como deveria ser.  O poder público, por meio de suas secretarias de educação e de cultura (e também as editoras – insisto nessa tecla, não é?), deveria formalizar parcerias com as academias de letras (e outras associações de classe específicas) para publicar, lançar e levar o artista (poeta, pintor, romancista, ator, cantor, músico, etc.) aos órgãos públicos e às escolas públicas, promovendo a discussão e valorização dos trabalhos artísticos locais, pois o universal começa pelo colorido, som e letras de cada cidade, de cada estória nela vivenciada. Mas o que vemos são artistas que continuam anônimos, salvo alguns poucos mais ousados.

Quem deve julgar a obra e o autor é o público. Só o tempo tem a resposta. Talento não é juízo. Devemos cultivar a tolerância e a compreensão. E a ética deve sempre prevalecer.

Dois poemas, dois poetas que têm lugar em qualquer biblioteca do mundo:

BETIM... (VULTOS ILUSTRES...)

Vultos ilustres da Capela Nova/Foram e não voltaram da diáspora/Um antigo tropeiro de Itabira/Que virou eminente industrial/O bom Cônego Domingos Martins/Padrinho de um bom Governador/Um ilustre benfeitor de Betim/E outros e outros que não sei/Que aqui permaneceram... Mestre Pedro/Mestre antigo do antigo lugar/E o Padre Osório de Oliveira Braga/Foi líder em todos os sentidos/Algo herdou de seus pais e tudo fez/Por sua terra como um bom pastor...
(Raimundo Pires da Costa, Imortal da ABEL - Academia Betinense de Letras, falecido em 1999, então com 88 anos).
                                                                                                                                                                                       

  TARDES DE CHUVA

Nas tardes de chuva/e pássaros molhados,/meu avô pegava a viola,/sentava no seu banco predileto/e fazia sumir as tristezas/daquelas horas sombrias. //O menino, de boca escancarada,/deixava a melodia descer garganta abaixo/como um manjar divino.//Nas tardes cheias de água/e pios de pássaros pelos arvoredos, o menino não sabia que, do outro lado,/existia vida que era muito mais triste/do que aquelas tardes/de águas, pios de pássaros molhados e flores na mata.
(Manuel Martins, Imortal da ABEL - Academia Betinense de Letras, 80 anos).
 
EVENTO LITERÁRIO
        
Primeira Feira do Livro ACTA LIVRARIA, dia 07 de junho, sábado próximo, a partir das 08 horas da manhã, com presença de escritores, performance teatral e musical.      
                                                                                                                                                       
             
                   
          
                   

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Por que se lê pouco no Brasil?
Postado em 21/05/08 - 09h47

 
 
            Inúmeros fatores contribuem para que o povo brasileiro não tenha o hábito de ler. Vou enumerar os principais para que esta mensagem não fique enfadonha.
            1º) Leitura é questão de educação de base, ou seja, pais e escola (sobretudo, no ensino fundamental) deveriam incentivar o fomento da leitura. Entretanto, é sabido que criança não gosta de ler. Aí o gosto deveria ser estimulado por brincadeiras, teatro, contação de histórias, etc.
            2º) Combate a indústria do xérox, principalmente nas Universidades. Deveria ter um meio acadêmico para incentivar a compra de livros por cada universitário: pontuar, por exemplo, em pontos, número xis de livros adquiridos por cadeira. Sabemos que xerocar parte ou livro inteiro é crime, pois como a música, há um direito autoral e ele não está sendo remunerado pelo xérox, além das editoras estarem tendo prejuízos financeiramente falando. Será que os doutores e mestres professores não sabem disso? Ou será que ficam felizes em ver suas obras xerocadas enquanto milhares do (s) seu (s) livro (s) estocados nas livrarias, sem saída?
3º) Também os empresários do setor gráfico e as editoras devem rever a política de preços na confecção dos livros e na forma de lidarem com os escritores vivos e novos principalmente, prestigiando-os, mesmo se a publicação for independente, na criação, na divulgação da obra impressa, nos seminários e eventos literários.
Pronto, alguém dirá: mas há outros fatores... Sim, sem dúvida: o descaso dos governantes com a educação desse país, a fome, o subemprego, o interesse macabro em manter o povo inculto ou vender aquilo que esculhamba com a cultura, as tradições, a história!
            Como diz o Professor Pascoale: “é isso aí”!
 
            Para quem gosta de ler, deixo uma poesia. Boa leitura!
 
 
             PROFANO
                      Nada tenho a fazer hoje.
                   Permaneço silenciosa por alguns momentos,
                   Desalinhada, desconfiada da vida.
                   Fico na obscuridade, vagamente consciente.
                   Percebo que somos apenas produto,
                   Produto de uma irônica fatalidade divina.
                   Desejamos apenas o que não pode ser,
                   Desejamos efemeridades,
                   Amor absoluto e pleno,
                   Mais profundo do que podemos carregar.
                   Egoístas?
                   Somos crianças e o amor é como folha seca
                   Que tomba com o vento.
                   Mas continuamos produto,
                   Agora, da esperança, aquela a qual agarramos
                   E logo se perde em algum sítio de nós mesmos.
                   Hei de chamar esta esperança de qualquer coisa,
                   De carinho e de desumano, quando se esvai depressa.
                   Assim, como uma gargalhada que finda na sombra
                   Dos nossos pensamentos, queria poder retê-los
                   Do seu segundo de consumação,
                   Quando tudo se torna fácil
                   E percebemos tratar apenas de uma irritação
                   Contida de nossa juventude,
                   Aquela que ficou lá longe, a cada passo à frente.
                   Ah! Essa esperança é camuflada pela incerteza.
                   Olha profundamente nos meus olhos
                   E até esqueço que fazer nada é puro ato de pensar.
                   Pensar, pensar no infinito, na distância, na vida
                   Que, suavemente, nos cerca, como uma melodia
                   Eterna, meiga e singela.
                   É reconfortante ouvir as notas de beleza
                   E sentir a simplicidade
                   Que elas têm  no compasso do coração...
               Ouvi-lo é escutar a beleza através da obscuridade,
                   Num mundo de sensações mortas, envelhecidas,
                   Esvaídas do menor assomo de compaixão.
                   Deixo-me relaxar no divã, que não é meu,
                   Tentando entender as nuances do tempo.
                   O tempo contribui para nossa construção.
 
www.iedaalkimim.recantodasletras.com.br

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