Um dos fatos marcantes da última semana foi à expedição do presidente Lula para vistoriar as obras de transposição do Rio São Francisco, juntamente com prefeitos, ministros, empresários e governadores. A empreitada, no valor de 6 bilhões, tem como objetivo levar água para 12 milhões de habitantes do Polígono das Secas, além de saneamento básico.
Isso, mesmo a contragosto de ambientalistas, como o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome contra o projeto, por acreditar no impacto ambiental, e os opositores, que questionam os custos da obra, os gastos da comitiva do presidente, além de acreditarem se tratar muito mais de uma promoção da ministra Dilma do que qualquer outra coisa.
O certo é que, independente de tudo, é sabido que a obra tem um valor subjetivo para o presidente: durante a infância, andou quilômetros para buscar água limpa nas intermináveis secas de interior de Pernambuco.
A situação do nordeste, enfim, não é novidade: a literatura, por exemplo, vem denunciando ao longo dos anos o quadro da região. Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e os Sertões, de Euclides da Cunha, são os clássicos mais emblemáticos sobre o assunto.
Enquanto isso, em Minas, tenta-se resolver o problema de dois “filhos” do São Francisco, os chamados afluentes. Um é o Rio das Velhas, que já recebeu verbas para sua revitalização na ordem de 1,4 bilhão, mesmo sem um planejamento específico e retornos concretos, haja vista as enchentes e o estado da qualidade das águas do Rio Arrudas etc. O governador Aécio, no início destas obras, chegou a afirmar que até 2010 “vai nadar no Rio das Velhas”, utopia e marketing que dispensa comentários.
Já o outro filho do São Francisco, o Rio Paraopeba, que possui 548 quilômetros de extensão, além de fornecer mais da metade da água para a RMBH, ganhou, pela primeira vez, um Plano Diretor. Assim, com a filosofia de que é “preciso primeiro conhecer para administrar”, o projeto, realizado pelo CIBAPAR (Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba) tem como objetivo promover um estudo minucioso sobre o Rio. Tal detalhamento destas informações, as quais englobam vazão, quem lança efluentes (esgotos e lixos) e quem retira água, além de outros tantos dados, propiciará um melhor direcionamento das ações e intervenções pontuais nos pontos mais necessitados, a fim de garantir água para as gerações futuras.
Enfim, é certo que o país necessita de muitas outras melhorias, além destas. Porém, priorizar o meio ambiente, em tempos de aquecimento global e ameaças climáticas, falta de água, etc, faz-se mais do que necessário. É o futuro da humanidade em jogo.